Exercícios ajudam homens com incontinência urinária
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segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Fernanda Borges <br> Reportagem Local 
Muito comum entre as mulheres, a incontinência urinária afeta também os homens. Os casos ocorrem, principalmente, entre os idosos e aqueles que precisaram passar por cirurgia de retirada da próstata - glândula de função hormonal localizada abaixo da bexiga. Estudos internacionais apontam que 1 a cada 10 homens apresenta queixas miccionais e 50% do público masculino acima de 40 anos têm disfunções sexuais. Exercícios fisioterápicos ajudam na reeducação muscular, comportamental e funcional.
Especialistas afirmam que os problemas estão associados a perda de fibras musculares e dos tecidos de sustentação do assoalho pélvico, que ocorrem com o avançar da idade mas, especialmente, quando os homens têm a região comprometida após procedimento cirúrgico.
A fisioterapeuta Fabiana Rotondo Pedriali, especialista em reeducação funcional da postura e do movimento, explica que, como nas mulheres, o avanço da idade é um fator que contribui para a perda de fibras musculares também nos homens, podendo atingir tecidos importantes para a continência e ereção.
''A capacidade volumétrica da bexiga diminui e em alguns casos pode haver uma hiperatividade do músculo deste órgão. Estes fatores podem acarretar um aumento de frequência urinária, perda urinária com esforços simples como tosse, pegar peso, sensação de urgência miccional, entre outros'', enfatiza.
A fisioterapia é um dos tratamentos indicados para disfunções do assoalho pélvico tanto em casos pós-cirúrgicos como para prevenção. Segundo a especialista, os exercícios reúnem técnicas específicas e podem ser realizados também por meio da laserterapia, que emite choques elétricos para estimular a musculatura da região.
''Inicialmente, o paciente passa por orientações relacionadas a hábitos miccionais, ingesta hídrica e alimentar. Deve aprender a ter consciência da musculatura responsável pela continência. Em alguns casos, as técnicas com eletroterapia endo-anal são utilizadas para pacientes sem percepção ou capacidade de contração'', explica Fabiana.
Pós operatório
Tumores na próstata também podem gerar sintomas que irritam a bexiga, devido ao seu volume. E a cirurgia de retirada da próstata pode provocar, em alguns casos, incontinência urinária e disfunção sexual. De acordo com Instituto Nacional de Câncer (Inca), no Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens. A prostatectomia radical (retirada do órgão), quando indicada, é o método mais eficaz de tratamento da doença localizada.
A fisioterapeuta explica que a prevalência de incontinência urinária pós-cirurgia está estimada entre 2% a 60% dos casos. ''A maioria dos pacientes relata perda de urina ao caminhar, descer escadas ou realizar algum tipo de esforço. A partir do momento em que o paciente consegue contrair o períneo, ele treina sua força, resistência e coordenação com exercícios ativos sem necessidade de instrumentos. Ele aprende a contrair o assoalho pélvico, associando exercícios de respiração e exercícios com pernas e braços, em diversas posições'', explica Fabiana.
O aposentado Armando Machado da Silva, 71 anos, passou por uma cirurgia de retirada da próstata em julho e depois de retirar a sonda percebeu que não conseguia controlar a urina. ''Fiz dez sessões com o aparelho e dá para perceber a diferença do local onde precisamos fortalecer. Depois fiz algumas sessões de fisioterapia e também já faço alguns exercícios em casa. É algo gradativo, mas percebemos que com o tempo dá muito resultado. Ainda não estou 100%, mas me sinto bem melhor do que nos primeiros dias sem a sonda'', afirma.


