Dizer que o corpo humano é uma "máquina" não é nenhum engano. Se olharmos para todas as estruturas e sistemas, vamos perceber que todo o seu funcionamento é detalhadamente conectado e providencial.
Sendo assim, nossa musculatura esquelética, que dá formas, sustentação e movimentos, não são apenas músculos, tendões e articulações. Se a estimularmos com exercícios físicos, haverá uma produção e liberação de substâncias que vão agir em outros órgãos e tecidos.
Partindo desse princípio, podemos pensar que trabalhar a musculatura reflete não só na queima de gorduras e combate à obesidade, mas também no bom funcionamento do cérebro, fígado, coração, do sistema imunológico, entre outros.
Esse é o ponto chave de alguns estudos que vêm sendo realizados, principalmente, por fisiologistas, interessados em descobrir todos os mecanismos e possibilidades. No dia a dia das pessoas, isso quer dizer que fazer exercícios físicos é muito mais importante do que se imagina.
"O benefício dos exercícios físicos, assim como a mudança para um estilo de vida saudável, está cada vez mais fundamentado, agora a nível molecular", afirma a educadora física Cristina Aquino Machado, da Clínica Marchesini, em Curitiba.
Ela, que é especialista em Fisiologia e Cinesiologia do Exercício, Pilates e Treinamento de Força, se dedica há dois anos ao estudo das miocinas. "Toda substância que é produzida, expressada ou liberada pela musculatura esquelética e que pode ter ação tanto local quanto a nível sistêmico é chamada de miocina", explica.
O tema é relativamente novo para a medicina, tanto é que pesquisas seguem em andamento para "decifrar" todas as substâncias secretadas pela contração muscular. No entanto, o que vem ganhando a atenção de especialistas é a relação com a obesidade, um assunto cada vez mais debatido e absorvido pela população.
Um estudo realizado na Dinamarca, em 2008, com 18 jovens saudáveis teve como ponto de partida, o número de passos dados por eles. Para um adulto jovem, é preciso andar em torno de 10 mil passos em um dia para ser considerada uma pessoa não sedentária. Pensando nisso, os pesquisadores baixaram esse número para 1.500 passos ao dia, durante duas semanas.
"Ao final desse período, os entrevistados apresentaram perda de massa muscular, desenvolveram intolerância à glicose, diminuíram o metabolismo de lipídeos e aumentaram em 7% a gordura visceral", diz a educadora física, acrescentando que mesmo antes de promover emagrecimento, os exercícios diminuem drasticamente o risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e alguns cânceres em obesos.
Cristina tem se dedicado ao estudo de como a contração muscular desencadeia uma série de reações positivas no organismo e que estão associadas com a prevenção de doenças. "Sem o estímulo, ou seja, com o comportamento sedentário, a secreção dessas substâncias diminui, assim como seu efeito protetor", acrescenta.
E mesmo que as novidades ainda estejam no âmbito de pesquisa, Cristina aponta um avanço no sentido de entender a musculatura esquelética como órgão secretor. "As miocinas acabam se comunicando com órgãos que a gente não tinha conhecimento", ressalta.

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