Um problema que pode acometer cerca de 470 mil crianças no Brasil tem sido foco de debates entre especialistas da área da infância. O autismo, assim como diversas outras doenças que integram um quadro denominado pelos médicos de transtorno invasivo do desenvolvimento, é o tema do III Meeting Sinahpse, que acontece no dia 3 de setembro em Londrina. O simpósio contará com a presença de César de Moraes, coordenador do Departamento de Psiquiatria da Infância e Adolescência da Associação Brasileira de Psiquiatria (DPIA-ABP). Além de abordar o diagnóstico, o psiquiatra infantil apresentará também quais são as melhores opções de tratamento.
De acordo com o médico, existe uma série de transtornos mentais que compartilham um mesmo grupo de sintomas - como o autismo infantil, a Síndrome de Asperger, a Síndrome de Heller e a Síndrome de Rett - e todos eles surgem antes dos 3 anos de idade com impacto no desenvolvimento da linguagem, na interação social e na criatividade. ''Esses transtornos são síndromes comportamentais de causa desconhecida. Apesar da etiologia ainda não ser conhecida, o papel da genética é muito importante'', aponta Moraes.
Dados do Centro de Controle de Doenças (CDC) nos Estados Unidos apontam que a proporção de autistas é de um para cada 110 nascimentos. Segundo o órgão, a prevalência é mais comum entre meninos do que em meninas (3 a 4 meninos para cada menina afetada), sendo que as garotas acometidas costumam apresentar quadros clínicos mais graves.
O psiquiatra explica que atualmente se busca uma identificação precoce dos sintomas do autismo e o ideal é diagnosticar antes dos 2 anos de idade. Entre os sintomas precoces estão: alterações de sono, falta de posição antecipatória ao ser pego pelos pais, não responder ao nome no primeiro ano de vida, ficar hiperfocado nas brincadeiras, além de ser muito rotineiro e repetitivo nas atividades.
Segundo o médico, é fundamental para o diagnóstico a presença de dificuldade de interação social de linguagem, além de comportamentos repetitivos e interesses restritos. O tratamento, de acordo com Moraes, é pautado em acompanhamento pedagógico (adequação escolar) associado ao apoio fonoaudiológico, terapia ocupacional, entre outros. ''É fundamental a presença de uma equipe multidisciplinar que faça um trabalho de 40 horas semanais de estimulação com os indivíduos afetados. Reforço a importância do diagnóstico precoce e o papel essencial dos pediatras e professores de identificar os primeiros sintomas e encaminhar para avaliação e segmentos especializados'', finaliza.
Serviço

III Meeting Sinahpse: Autismo, com o psiquiatra infantil César de Moraes. Dia 3 de setembro, das 8h às 13h, Hotel Sumatra Londrina. Mais informações pelo telefone (43) 3055-2324.
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