Quem vê o autônomo Márcio (nome fictício), de 41 anos, na academia não imagina que ele tem leucemia mieloide crônica. Há cinco anos, quando a esposa dele ficou grávida, o médico pediu que ele fizesse um exame de sangue para identificar o tipo sanguíneo e o fator Rh. Foi nesta ocasião, diante de uma alteração identificada no hemograma, que Márcio descobriu a doença. "Eu não tinha sintoma nenhum, mas o mundo caiu sobre a minha cabeça. Eu achava que não veria meu filho crescer e que morreria logo", recorda.
O hematologista que passou a acompanhar o autônomo explicou que esta é uma doença crônica e pediu para que ele a encarasse como se fosse um diabetes. "Eu precisei mudar alguns hábitos e iniciar o tratamento", conta Márcio. No início ele passou por uma fase difícil. "Emagreci muito, fiquei fraco e sentia dores de cabeça terríveis porque a medicação era muito forte. Eu tinha certeza de que iria morrer", destaca. Após a mudança do remédio, Márcio começou a melhorar e os níveis sanguíneos passaram a chegar perto dos ideais. "De uns seis meses para cá eu estou reagindo bem, ganhei peso e meus exames mostram que estou perto da remissão", ressalta. Conforme ele, o apoio da família foi muito importante para que a fase difícil do tratamento fosse superada.
Sempre atento aos novos estudos, Márcio afirma que acredita que as pesquisas são benéficas, mas sabe que se passam muitos anos até que os resultados cheguem ao alcance dos pacientes. "Eu não tenho esperança de chegar à cura da leucemia, mas tenho esperança de viver muito tempo com ela", ressalta. Apesar de estar com a doença controlada, Márcio afirma viver sempre em uma situação de insegurança. "Tenho medo de a doença desandar de uma hora para a outra. A minha felicidade nunca é 100% porque eu nunca sei por quanto tempo estarei bem", afirma.
Apesar de lidar tranquilamente com esta questão, Márcio destaca que o paciente com leucemia sofre muito preconceito, e este foi o motivo pelo qual ele preferiu não se identificar nesta reportagem. "O preconceito é evidente especialmente no mercado de trabalho. A maioria das pessoas que eu conheço com a doença são autônomos ou funcionários públicos", aponta. Ele acrescenta que por conta disso apenas algumas poucas pessoas sabem da sua situação. "Estou me preservando porque acredito que posso sofrer mais preconceito", conclui. (M.A.)

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