Estudo dá esperança a pacientes com DMRI
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domingo, 19 de maio de 2013
Michelle Aligleri<br>Reportagem Local 
Pesquisa realizada por um grupo de médicos que atua no Paraná aponta tratamento eficaz para alguns pacientes que têm a forma úmida da Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI), doença crônica e progressiva que pode levar à cegueira. O oftalmologista do Hospital de Olhos do Paraná, Carlos Augusto Moreira Júnior, em parceria com os especialistas Luís Augusto Arana e Rommel Zago descobriram que há chance de recuperar a visão dos pacientes que apresentam complicação no tratamento com as injeções de medicamentos antiangiogênicos.
De acordo com Moreira Júnior, entre as pessoas com DMRI úmida que iniciam o tratamento com as injeções, uma parcela entre 10% e 15% tinha uma complicação durante a intervenção. ''Estes pacientes apresentam a chamada 'ruptura de epitélio pigmentado', que na verdade é um rasgo no tecido que fica embaixo da mácula'', explica. Ele acrescenta que, nestes casos, o paciente apresenta uma piora significativa da visão, e isso causa insegurança tanto no paciente quanto no médico, que acaba suspendendo o tratamento.
No trabalho realizado pelos oftalmologistas, as injeções continuaram sendo aplicadas, mesmo após a complicação. ''Percebemos que se a gente insistir no tratamento, a retina se recompõe'', salienta. Segundo ele, a melhora dos pacientes é muito grande e possibilita que eles recuperem até 50% da visão perdida por conta da intervenção. ''Aqueles que antes tinham dificuldade até mesmo de contar os dedos, tiveram condições de voltar a dirigir'', destaca.
A pesquisa comprovou que é justamente nesta situação de complicação que deve-se insistir no tratamento. ''As medicações devem continuar sendo aplicadas mensalmente e o número de aplicações depende da resposta do paciente'', acrescenta. Segundo ele, é preciso um pouco de perseverança e saber que com o tempo a retina vai se reconstituir.
Cegueira
Entre as doenças que comprometem a visão, a DMRI é a principal causa de cegueira irreversível em pacientes com mais de 50 anos. Dados da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo apontam que a doença atinge 10% da população brasileira com mais de 65 anos.
De acordo com o médico oftalmologista, Jayme Alves Junior, a DMRI é desencadeada por conta do envelhecimento exacerbado da retina, principalmente na região da mácula - a parte da retina responsável pela visão central, cores e detalhes. ''O processo de envelhecimento do olho é natural, mas algumas pessoas têm dificuldade de eliminar um tipo de secreção do olho, o acúmulo deste material está relacionado ao aparecimento da DMRI'', explica.
Tipos de DMRI
A DMRI pode se desenvolver de duas formas: seca ou úmida. A do tipo seca é mais comum, representa 90% dos casos e leva à cegueira em 20% dos pacientes. O tratamento se dá com a utilização de antioxidantes e complexos vitamínicos. Os pacientes acometidos por este tipo de doença podem utilizar óculos, que reduzem os prejuízos da qualidade de vida, mas não há tratamento para reverter os danos causados pela doença.
A forma úmida da DMRI é a única passível de tratamento. Ela é mais rara (10% dos casos), e causa a cegueira em 80% dos pacientes. A diferença entre as duas é que o paciente que apresenta a forma seca tem um déficit progressivo na visão e aquele que apresenta o tipo úmida apresenta uma baixa visual repentina. (A repórter viajou à convite da Bayer Healthcare)


