Estímulo cerebral pode tratar dependência de cocaína, diz estudo
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domingo, 07 de abril de 2013
<br> <br> France Presse 
Paris - Estudos feitos em ratos demonstraram que estimular uma região adormecida no cérebro de dependentes de cocaína pode reduzir a abstinência da droga, uma técnica que também pode funcionar em humanos, afirmaram cientistas nesta última semana.
Uma equipe de cientistas dos Estados Unidos treinou ratos para se ''auto-administrar'' cocaína ao pressionar duas alavancas. Depois de algumas semanas de treinamento, os ratos levaram um choque elétrico de intensidade média sempre que buscavam a droga, fazendo com que 70% deles desistissem, escreveram os cientistas na revista científica Nature. Mas uma minoria ''compulsiva'' continuou procurando a droga, assim como ocorre com os dependentes humanos.
A equipe de cientistas mediu a atividade cerebral no córtex pré-límbico, parte do córtex pré-frontal envolvida no controle de impulsos nos dois grupos de ratos. Eles descobriram que a atividade caiu nos dois grupos, mas de forma mais marcante no grupo de compulsivos.
Quando os cientistas ''ativaram'' os neurônios inativos, usando estímulo optogenético, o comportamento compulsivo em busca de cocaína parou, disse à France Presse o autor Antonello Bonci, do Instituto Nacional de Abuso de Drogas em Maryland. Ao contrário, eles também poderiam fazer os ratos não compulsivos voltarem a ficar compulsivos inibindo os neurônios. ''Esta nova pesquisa mostra que o estímulo nesta parte do cérebro reduz os comportamentos de dependência, como a busca por cocaína'', explicou Bonci por e-mail.
Ele disse que as descobertas trazem uma esperança para os humanos, destacando que estudos anteriores demonstraram uma atividade reduzida no córtex pré-frontal de usuários de cocaína. Nos humanos, no entanto, um tipo não invasivo de estímulo seria usado, tal como o estímulo magnético transcraniano (TMS), no qual pulsos magnéticos estimulam uma área pequena da superfície do cérebro.
Em contraste, o estímulo optogenético usado com ratos envolve a implantação de fibras ópticas no cérebro de um animal para excitar ou inibir as células cerebrais em resposta a estímulos de luz. As técnicas de estímulo cerebral não invasivas, como o TMS, já são usadas para tratar uma série de doenças em humanos, inclusive a depressão.
''Nossos resultados podem ser traduzidos imediatamente no ajuste de pesquisa clínica em humanos'', disse Bonci. ''De fato, estamos planejando testes clínicos para usar metodologias de estímulo cerebral como o TMS'', acrescentou.
A mesma região do cérebro não pode ser envolvida na dependência de todas as drogas ou em todas as pessoas, disse Bonci. ''Minha especulação e esperança é que devemos ter casos em que um simples aumento da atividade na região cerebral como a região pré-límbica, pode reduzir os sintomas, mas estamos longe de uma terapia para todas as drogas de abuso'', afirmou.

