A esteatose hepática de origem não alcoólica (EHNA) é uma doença crônica e silenciosa, que se caracteriza pelo acúmulo de gordura no interior das células do fígado.
Edison Roberto Parise, presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH) diz que a enfermidade acomete mais frequentemente indivíduos na faixa dos 40 a 50 anos. "No entanto, vem crescendo entre os adolescentes em função do estilo de vida que levam", afirma.
O hepatologista do Hospital São Vicente (Funef) em Curitiba, Marcial Carlos Ribeiro, destaca ainda que a cada quatro crianças obesas, uma possui essa degeneração, que tem causa genética. No entanto, dificilmente é diagnosticada precocemente, pois segundo Ribeiro, não há sintomas clínicos nas crianças. Isto significa que mesmo com o fígado inflamado, o paciente não sente dor.
O diagnóstico pode ser feito através de um exame preventivo constante, como a elastografia hepática. "O resultado é imediato, não utiliza medicamentos e não é necessário uma biópsia", comenta. O exame mede os níveis (de I ao IV) de endurecimento do fígado. "O importante é que a partir do diagnóstico, a família pode agir com mais firmeza com a criança, que terá que mudar a rotina, começando pelos hábitos alimentares", salienta. Entre os fatores de risco, está a alteração nos níveis de colesterol, triglicérides e de açúcar no sangue, associados à obesidade.
Em relação à esteatose, a estimativa é de que 30% dos adultos sejam acometidos, porém, especialistas acreditam que esse número é ainda maior em obesos e diabéticos. Nessas populações, a doença pode ultrapassar 70% dos indivíduos.
Para tratar, o primeiro passo é de fato a mudança para uma vida mais saudável, com alimentação equilibrada e atividade física regular. Em casos mais avançados, a SBH explica que há a recomendação de medicamentos chamados de sensibilizadores de insulina e medicamentos citoprotetores e antioxidantes para proteger o fígado. Em quadros mais graves, pode haver indicação cirúrgica para transplante. (M.O.)

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