Quem vê o lutador de taekwondo Thales Militão, de 24 anos, entrar no tatame não imagina que ele sofre de uma doença rara, incurável e que pode levar à incapacitação. Mas é justamente pela rotina dedicada ao esporte e aliada aos medicamentos que ele consegue conviver bem com a espondilite anquilosante (EA).
Ainda pouco conhecida entre a população, essa doença inflamatória crônica que afeta os tecidos conjuntivos, se caracteriza pela inflamação das articulações da coluna vertebral, quadris, ombros e outras regiões.
Comparada a outras dores lombares, como a hérnia de disco e a artrose, a EA tem uma melhora significativa com a prática de esportes. O reumatologista Valderílio Azevedo, docente no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), cita inclusive que esse é um ponto a ser considerado no exame clínico.
"A espondilite é definida pelos sintomas. Ela causa uma dor lombar inflamatória e por isso é muito confundida com outras doenças. Porém, essa dor melhora com exercício físico e piora com o repouso, quando o paciente fica parado. Sendo que uma queixa muito comum dos pacientes é logo ao acordar. Eles relatam dor e rigidez na coluna", diz.
O reumatologista reconhece ainda que a doença também é pouco divulgada entre a classe médica, em especial aqueles que atuam nas Unidades Básicas de Saúde. Segundo ele, isso é preocupante porque a detecção precoce é fundamental para evitar a progressão da doença e suas complicações.
Quando não tratada, a EA pode ter manifestações extra-articulares, atingindo, por exemplo, os olhos (uveíte), intestinos (colite ulcerativa), entre outros.

CONTROLE DA DOR


Apesar de ser uma doença pouco divulgada, a estimativa é de que 1% da população mundial seja portadora. A causa ainda é desconhecida, mas sabe-se que fatores genéticos podem estar relacionados e que há uma maior prevalência no sexo masculino, até os 40 anos de idade.
De acordo com Azevedo, o tratamento tem avançado muito e em 95% dos casos é possível controlar a dor. "Alguns pacientes podem inclusive atingir remissão clínica. Porém, é preciso que ela seja diagnosticada o quanto antes", reforça o reumatologista, responsável pelo diagnóstico e tratamento de Thales.
Para aliviar as dores e evitar que a EA progrida, o atleta mantém uma rotina de exercícios físicos e faz uso semanal de agentes biológicos chamados anti-TNF, medicamentos que interrompem a evolução da doença e garantem uma melhor qualidade de vida.

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