A filha mais nova da escritora Giselle Cristiane Soares Dellatorre, de 43 anos, tinha apenas dois meses de vida quando ela começou a sentir dores na panturrilha. Na época, aos 23 anos, Gisele optou por procurar um médico ortopedista. "Durante um ano inteiro, eu recebi tratamento para hérnia de disco e o médico insistia que meu caso era cirúrgico", afirma. Apesar da insistência de Giselle, o profissional se recusava a pedir exames que poderiam apontar uma doença reumatológica. "Todos os outros exames davam negativo e eu só não tinha feito este tipo de investigação. Foi quando decidi procurar outro médico", conta.
Dois anos depois do início dos sintomas, Giselle realizou os exames que faltavam e descobriu que suas dores eram causadas pela artrite reumatoide. "Procurei um reumatologista que me disse que eu viveria apenas até os 35 anos. Fiquei desesperada, eu tinha duas filhas pequenas", lembra a escritora.
Por conta da apreensão, ao mesmo tempo em que iniciou o tratamento com os medicamentos disponíveis, Giselle buscou informações sobre a doença. "Tomei corticoide por muito tempo, fui dos 48 para os 82 quilos. Fiz tratamento com médicos de São Paulo e sempre ia pesquisando as novidades e as últimas descobertas dos cientistas", destaca.
A escritora conta que o tratamento psicológico foi fundamental para ajudá-la a superar as dificuldades impostas pela artrite reumatoide. "Eu era muito jovem, tinha duas crianças em casa e não conseguia sair da cama. Dependia da empregada e da minha sogra para tudo. Era muito difícil porque a doença nem sempre deixa sinais físicos, quem te olha na cama acha que você não tem nada", conta.
Para Giselle, o tratamento só pôde ser completo quando encontrou a médica que a trata até hoje. "Eu pesquisava os novos tratamentos na internet e levava na consulta para ela me explicar o que valia a pena e o que era inviável", afirma. Conforme ela, depois desta última mudança de médico, o tratamento passou a ser multidisciplinar. "Passei a fazer fisioterapia, o que me ajuda muito e evita as deformidades nas articulações, e todos os anos faço acompanhamento com cardiologista e ginecologista", destaca. Para ter acesso aos medicamentos biológicos, que são muito caros, mas também mais modernos para este tipo de doença, Giselle entrou com uma ação judicial com o apoio da reumatologista.
A partir do momento que conseguiu controlar a doença, a escritora conta que voltou a trabalhar, estudar, cuidar da casa e das filhas. "Ainda existe um fator limitante, há dias em que eu acordo com dor e isso me impede de fazer algumas coisas", afirma. Durante estes anos de doença, Giselle precisou colocar prótese em um dos joelhos e está se preparando para fazer a mesma cirurgia no outro joelho em breve. Apesar de conviver com a artrite reumatoide há tanto tempo, ela não apresentou nenhum sintoma sistêmico da doença. "Sei que nunca vou parar de tratar, por mais que existam ótimos medicamentos, ainda não temos a cura da artrite", destaca. (M.A.)

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