Uma doença silenciosa que pode manifestar sintomas sutis e, em muitos casos, tardiamente, atinge hoje cerca de 2,5 milhões de pessoas no mundo, sendo pelo menos 30 mil só no Brasil. A esclerose múltipla é uma doença neurológica incapacitante e autoimune, que acomete principalmente jovens adultos com idade entre 20 e 40 anos, com incidência maior em mulheres. Apesar dos sintomas variarem de pessoa para pessoa, a patologia pode afetar todas as funções do cérebro, incluindo movimentos, visão e funções mental e sexual. Um novo tratamento oral que está sendo lançado neste mês no mercado pode ajudar na redução de surtos.
O médico neurologista Fernando Figueira, chefe do serviço de neurologia do Hospital São Francisco da Penitência (RJ), explica que a esclerose múltipla é considerada uma curiosidade médica de longa data. Segundo ele, os critérios de diagnóstico da doença se concentram, principalmente, na observação de surtos. ''Não sabemos o que causa a esclerose múltipla, mas sabemos que existem alguns fatores considerados de risco que aumentam a chance da pessoa ter a doença. Como por exemplo, fatores geográficos, genéticos, étnicos e processo infeccioso'', diz.
Os surtos da doença ocorrem quando há uma inflamação intensa no sistema nervoso central e são caracterizados por uma perda séria das funções (motora, mental, visual, etc). Segundo o médico, este estado pode ser reversível, durando pelo menos 24 horas. ''O médico precisa descartar uma série de doenças antes de chegar na esclerose múltipla. Os medicamentos são extremamente eficazes no início dos episódios, mas ineficazes após a perda celular, que ocorre após muitos episódios'', aponta.
Lançamento
Disponível a partir deste mês no mercado, o Gilenya (nome comercial) é o primeiro medicamento oral para o tratamendo da esclerose múltipla. Antes, existiam apenas terapias realizadas com injeções periódicas. O medicamento apresenta eficácia 52% superior na redução dos surtos em comparação a um dos tratamentos mais usados atualmente. De acordo com Marcelo Gomes, médico neurologista e gerente da Novartis (empresa que está lançando o medicamento), o Gilenya é indicado para o tratamento de primeira linha da esclerose múltipla surto-remissão, que atinge 85% dos pacientes da doença na fase inicial.
Segundo Gomes, a esclerose múltipla interfere significativamente na qualidade de vida dos pacientes, adultos jovens que podem ter a sua produtividade e vida ativa interrompidas. Cerca de 50% deles precisam de uma cadeira de rodas no prazo de 20 anos após desenvolver a doença e aproximadamente 85% sofrem com a fadiga severa, independentemente do estágio da doença.
''Resultados dos estudos clínicos com o medicamento demonstraram redução de 30% na progressão para invalidez após três meses e queda de 37% no risco de progressão para incapacidade após seis meses'', afirma.
Além do Brasil, o medicamento já está sendo comercializado em diversos países, na América do Norte, Europa e Austrália. A caixa com 30 comprimidos custa R$ 7 mil e, por ser novo no mercado, por enquanto não há cobertura do Sistema Único de Saúde (SUS).

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