'Equipamento não atenderá todos os casos'
O ortopedista pediátrico Edilson Forlin, do Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba, e docente do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) ainda não teve contato com o equipamento UpSee, mas defende os prós e contras.
"Cada criança com paralisia cerebral tem suas características e o equipamento não atenderá todos os casos. Além disso, ainda não há como afirmar se esse tipo de terapia é suficiente para determinar alguma mudança na evolução em termos de tratamento", comenta. Por outro lado, o especialista ressalta que qualquer trabalho que estimule a parte motora representa um benefício em potencial.
Ainda de acordo com Forlin, cada criança com paralisia cerebral tem um desenvolvimento dentro de sua limitação e é preciso, portanto, avaliar muito bem cada caso. "Se a criança conseguir usar, acho que não haveria fator negativo, mas se ela não tiver controle de cabeça ou tiver contraturas, conforme o posicionamento que apresenta, haverá dificuldade no uso do equipamento", orienta.
A paralisia cerebral é um conjunto de distúrbios, que podem envolver as funções cerebrais e do sistema nervoso, como os movimentos, aprendizagem, audição, visão e raciocínio. "Há vários tipos de paralisias. Por exemplo, há o paciente espástico, que é a forma mais comum, a discinética que se caracteriza pelos movimentos sem controle e a forma mista, que apresenta os dois componentes e com graus diferentes. Na forma discinética, as terapias são pouco eficientes. Elas não mudam muito a evolução, inclusive com cirurgias", afirma.
Já na forma espástica, o especialista afirma que muitas terapias são utilizadas, como a hidroterapia, equoterapia, medicamentos como a toxina botulínica e procedimentos ortopédicos. "Mas é claro que é preciso ponderar porque tudo isso tem um custo não só financeiro, mas de tempo, de dedicação. Não há um padrão no tratamento, pois entendemos que a criança com paralisia precisa é de um bom acompanhamento", completa. (M.O.)




