Epigenética a favor da saúde
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de setembro de 2011
Fernanda Borges<BR>Reportagem Local 
Uma linha da ciência que vai além da genética, a epigenética, pode ser um dos avanços para o tratamento de várias patologias num futuro próximo. O biomédico Marcus Vinícius de Matos Gomes, coordenador do curso de Biomedicina da Universidade Norte do Paraná (Unopar), tem contribuído com a literatura científica mundial para novas informações sobre o câncer e depressão. Seu último trabalho publicado recentemente questiona se a interferência do ambiente pode modificar o comportamento celular. A pesquisa foi apresentada no 3º Encontro Nacional de Epigenética, organizado pelo Hospital Alemão Oswaldo Cruz e pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
De acordo com o pesquisador, o ambiente em que as células são expostas desde a fase embrionária pode modificar o comportamento celular, o código genético. Assim, segundo ele, as células que apresentam a mesma sequência de DNA podem ter características distintas, afetadas pelos mecanismos epigenéticos que modulam e controlam os genes através do meio em que são expostos. As alterações desses mecanismos estão associadas ao aparecimento de inúmeras doenças congênitas ou adquiridas ao longo dos anos, explica.
Com a conclusão do Projeto Genoma Humano (PGH) na década de 1990, a ciência pode dar início, então, a uma nova fase de busca pelo conhecimento sobre o tema, caracterizada pela compreensão do funcionamento e do comportamento dos genes, então sequenciados no núcleo das células.
Segundo Gomes, ainda é difícil responder questões como: por que as células cardíacas (coração) são diferentes das células epiteliais (pele) se elas possuem a mesma sequência de DNA ou o mesmo genoma? Para ele, a resposta está nos mecanismos epigenéticos. O ambiente em que as células são expostas desde a fase embrionária pode modificar o comportamento celular, o código genético, afirma o professor.
Pesquisa
Estudos mostram que as alterações do padrão epigenético como a nutrição (ou desnutrição), o consumo de álcool, o tabagismo, o cultivo in vitro de embriões concebidos por métodos de reprodução assistida, entre outros, são influências diretas nessas manifestações. Porém, há um consenso na comunidade científica de que mais estudos são necessários para a completa compreensão da associação do ambiente com as alterações epigenéticas que levam às doenças.
Depois de já ter publicado outros artigos sobre o assunto, além de ter contribuído com um estudo sobre depressão que ainda está em andamento, Gomes testou drogas epigenéticas em células de tumores do sistema nervoso central e observou que o uso do medicamento apresentou importante potencial na terapia. Ele explica que ao introduzir um tipo de droga em células cancerígenas, observou-se que elas foram totalmente eliminadas ao longo do tempo.
Os estudos envolvendo os mecanismos epigenéticos nos ajudarão a responder muitas perguntas biológicas, a conhecer melhor o funcionamento de nossos genes, a entender como as doenças se iniciam e como preveni-las simplesmente mudando nossos hábitos e costumes, ou até mesmo a corrigir o funcionamento anormal de um gene até então não corrigível, finaliza.

