A cura do diabetes é a meta de pesquisadores de vários centros do mundo. Ninguém alcançou este objetivo por enquanto, mas vários estudos sobre técnicas que melhoram a qualidade de vida dos pacientes já apresentam resultado positivo. Um exemplo é o estudo inédito mundialmente, que está em andamento no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto (SP).
Segundo o médico endocrinologista e coordenador da pesquisa, Carlos Eduardo Couri, este é o primeiro estudo em humanos diabéticos com células-tronco em todo o mundo. Como o sistema imunológico do próprio paciente ataca as células produtoras de insulina por se uma doença autoimune, os pesquisadores da equipe utilizam altas doses de medicamentos quimioterápicos para liquidar o sistema imunológico do paciente. "Durante seis dias seguidos o paciente recebe a medicação via endovenosa, e o indivíduo fica com a imunidade próxima de zero. No sétimo dia, injetamos no indivíduo células-tronco dele próprio que retiramos antes do início do tratamento", destaca.
O estudo começou em 2003, e dos 25 pacientes que participaram da primeira fase da pesquisa, 21 deixaram de depender da insulina por um tempo, mas voltaram a precisar da medicação, só que em menor quantidade e menos vezes ao dia após um período. "Só este dado já é espetacular, mas estamos pesquisando para melhorar estes resultados", comemora Couri. Ele afirma que a equipe de estudo constatou que a quimioterapia que estava sendo realizada ainda deixava no organismo dos pacientes algumas células de imunidade que atacavam o pâncreas.
Em 2011, os pesquisadores iniciaram um novo protocolo que consiste em incluir mais um tipo de droga quimioterápica no esquema. "O que mudou é a intensificação da quimioterapia. A gente espera agora alcançar resultados melhores do que os primeiros", aponta. As conclusões desta segunda pesquisa ainda não foram publicadas, mas o médico acredita que estamos vivendo a "era das células-tronco". "O importante é que as pessoas entendam que o que estamos fazendo é uma pesquisa. A técnica não está aprovada, certamente estamos trilhando um importante caminho, mas ainda existem dúvidas a respeito", complementa.
Qualidade de vida
O médico salienta que não se fala em cura, mas que os pesquisadores do grupo estão buscando um tratamento que dê uma qualidade de vida melhor para os pacientes. Couri não sabe se a técnica um dia será amplamente disseminada, mas conta que a pesquisa já foi exportada para os Estados Unidos e França. "Eu acho prematuro dizer que um dia este vai ser o tratamento de rotina, mas me sinto seguro em afirmar que o Brasil está colaborando muito com o desenvolvimento de novas tecnologias nesta área", garante.
Para participar da pesquisa de células-tronco, o paciente precisa ter entre 18 e 35 anos e ter sido diagnosticado com diabetes tipo 1 há menos de seis meses. Os interessados podem enviar e-mail para [email protected]. De acordo com o médico é importante que o paciente tenha diagnóstico recente porque as células-tronco não regeneram as áreas do pâncreas que foram destruídas e a proposta é justamente preservar os pedaços do órgão que ainda estão em funcionamento.

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