Enxaqueca afeta 15% da população brasileira
Pesquisadoras divulgam materiais sobre o tema, com dicas de autocuidado e estratégias de prevenção
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 12 de agosto de 2019
Pesquisadoras divulgam materiais sobre o tema, com dicas de autocuidado e estratégias de prevenção
Vitor Ogawa - Grupo Folha 

A enxaqueca ataca adultos e crianças e está presente em 15,8% da população brasileira, o que a torna a quarta doença mais prevalente no País. A cefaleia tensional é a segunda condição crônica mais comum no mundo, tendo atingido 1,6 bilhão de indivíduos em 2016. As informações são das pesquisadoras Ana Beatriz de Oliveira, Erika Plonczynski Lopes e Leticia Bojikian Calixtre, do Laboratório de Cinesiologia e Clínica Ocupacional, do Departamento de Fisioterapia da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos).
Com base nesses dados o grupo elaborou dois materiais gráficos digitais sobre o assunto. Um folder aborda a crise de enxaqueca, suas fases, fatores que a desencadeiam e estratégias de prevenção e combate às crises. E uma cartilha apresenta dicas de autocuidado para lidar com a dor de cabeça. Os materiais estão disponíveis para acesso gratuito nos links https://bit.ly/2LQ39D0 (crise de enxaqueca) e https://bit.ly/2ylZPXh (autocuidado para dor de cabeça).
A concepção desse material surgiu da busca de voluntários para participar de pesquisa, que pretende traduzir para o português brasileiro um questionário de dez perguntas, cujo original é em holandês, e que ajuda a fazer a triagem das dores de cabeça primárias.
A fisioterapeuta Leticia Bojikian Calixtre explica que o grupo divulgou o projeto para aplicar esse questionário em brasileiros e a procura foi enorme. “O questionário foi elaborado seguindo um critério internacional de classificação de dores de cabeça, baseado em algoritmos e, dependendo das respostas, é possível ter uma ideia de qual o tipo de dor de cabeça seja a mais provável. Se for uma dor de cabeça tensional, pode ser tratada por fisioterapia. Se for uma enxaqueca, a pessoa deve ser encaminhada para um neurologista”, detalha. O trabalho de tradução, por ter uma série de critérios, ainda não foi concluído. “O questionário vai ser mais útil para o profissional de saúde do que para o paciente”, explica.
Calixtre aponta que a cartilha foi desenvolvida para que os pacientes não saiam do atendimento sem nenhuma ferramenta; e é preciso separar uma dor de cabeça de uma enxaqueca. “Existem mais de 100 tipos de dores de cabeça, mas elas podem ser classificadas em primárias, que são a doença em si; ou secundárias, que são sintomas de outras doenças. A enxaqueca e a cefaleia por tensão são primárias, e as demais são sintomas de outras doenças, como a dor cervical ou a fibromialgia”, destaca.
MAIS MULHERES
A pesquisadora explica que o material gráfico foi desenvolvido baseado no que a literatura médica mostra de evidência e como lidar com a enxaqueca. Ela ressalta que a dor de cabeça mal diagnosticada pode resultar em tratamento mal feito. “Tem que saber qual tipo de dor de cabeça para saber quais os medicamentos corretos para isso, pois geralmente esses remédios possuem efeitos colaterais e não são 100% efetivos”, destaca.
“Muita gente precisava de orientação sobre o assunto, principalmente mulheres, já que o problema as atinge mais do que os homens. A cartilha tem sido utilizada por todos os pacientes que passam por nossa avaliação, mas não temos condições de tratá-los aqui, porque ainda não temos essa estrutura. Entregamos a cartilha para eles saberem o que é a doença e com base nos sintomas é possível indicar quais profissionais podem ajudar melhor”, destaca. Mesmo assim percebe que as pessoas ficam ansiosas e ainda procuram resposta para saber o que fazer com aquilo. “O grupo sabe que isso não é o fim da jornada para conseguir o diagnóstico correto, mas é o primeiro passo”, destaca.

MÚLTIPLOS FATORES
A enxaqueca pode ser provocada por múltiplos fatores, muitos deles desconhecidos, mas há alguns que podem desencadear as crises, tais como: jejum prolongado, estresse, insônia, chocolate, queijos fortes, embutidos, consumo excessivo de café e de bebidas alcoólicas, fumo, alterações hormonais, certos perfumes e o açúcar.
Os sintomas típicos da enxaqueca são dor latejante e pulsátil, geralmente unilateral, de intensidade moderada ou forte; náuseas; vômitos; hipersensibilidade à luz (fotofobia), aos sons (fonofobia) e a certos odores , que se mantém de quatro a 72 horas e piora com o movimento; irritabilidade; depressão; agitação.
QUALIDADE DE VIDA
A proprietária de um gastrobar em Londrina, Cláudia Augusta dos Santos, sofre de enxaqueca há cinco anos, mas ficou dois anos sem ter o diagnóstico correto. “Eu tenho problema oftalmológico e achava que era por causa disso. Tinha dores de cabeça todos os dias, as narinas ficavam obstruídas e a cabeça pesava. Ficava tão mal que chegava a ponto de desmaiar”, relata.
Ela tomava remédios comuns para dor de cabeça para tentar aliviar o problema. “Quando a enxaqueca ataca, eu enxergo pontinhos, como se fossem estrelinhas em diversos pontos da casa. Sinto ânsia de vômito, a minha visão fica turva e geralmente fico em um quarto fechado muito escuro com tapa olho”, destaca.
Santos conta que, há cerca de três anos, uma médica a viu chorando e, ao ser questionada, relatou o problema. “Fiz uma série de exames e fui diagnosticada com o problema. Agora recebo o tratamento adequado”, destaca, dizendo que ganhou qualidade de vida. As crises de enxaqueca não desapareceram, mas foram reduzidas a apenas duas vezes por ano, principalmente quando a imunidade está baixa.“Acredito que até estresse na rotina e mudança de tempo influenciam nesse problema. Quando não tinha sido diagnosticada, a cada dois meses tinha enxaqueca”, lembra Santos
Com a sua experiência, ela procurou a sua mãe e seu irmão, que também sofrem com dores de cabeça, já que o problema pode ter origem genética. "Como eu fui diagnosticada primeiro, o fato de ter essa informação foi importante para compartilhar com a minha mãe, que tem 79 anos.
Ela fez os exames e também foi diagnosticada com enxaqueca."

