O oncologista Luiz Antonio Negrão Dias, presidente do Conselho de Administração do Hospital Erasto Gaertner, de Curitiba, aponta dois fatores principais para o crescimento expressivo da mortalidade por câncer no Brasil: o aumento da expectativa de vida da população, já que a doença incide mais em pessoas com idade a partir de 55 anos, e o processo de urbanização das últimas décadas.
"Em uma área rural, há todo ano 80 novos casos de câncer por cada 100 mil habitantes. Na área urbana, são 400 novos casos. A urbanização levou a uma mudança de vida da maior parte da população brasileira: dieta, hábitos não saudáveis, exposição a fatores carcinogênicos da poluição e dos ambientes de trabalho", explica.
Dias relata que é por essa razão que o Paraná, assim como outros Estados sulistas e do Sudeste, aparece entre os líderes em mortalidade por câncer. "No Sul e no Sudeste, o processo de industrialização e urbanização aconteceu mais rapidamente. Mas em outras regiões, em que esse processo ocorreu mais lentamente, agora os índices estão crescendo mais", explica.
O oncologista acredita que o poder público está mais atento à prevenção e ao tratamento do câncer, mas ainda há muito a melhorar. "Quando é implantado um programa de prevenção, os resultados só aparecem em 15 a 20 anos. Com o aumento da mortalidade que temos visto, isso indica que os programas de 15 anos atrás não funcionaram. Não é possível dizer que os programas atuais não estão funcionando, pois só vamos saber o resultado depois", explica.
"No passado, as prioridades na área de saúde eram outras: vacinas, saneamento. Há 30 anos, o câncer era a quinta causa de mortalidade no Brasil. Hoje, é a segunda. Os governos deixaram o assunto meio de lado e quem assumiu esse enfrentamento foram os hospitais de câncer, muitos filantrópicos. Agora o poder público começa a se preocupar mais, mas ainda faltam dinheiro e programas efetivos", afirma Dias. (F.G.)

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