Envelhecimento e independência
PUBLICAÇÃO
domingo, 20 de março de 2011
<br> Mônica Levi <br> 
O Brasil, que sempre foi considerado um país de população jovem, vem mudando nos últimos anos. Estudos apontam que até 2025 o Brasil será o sexto país com maior número de idosos no mundo. Fato é que com incremento de saúde pública, políticas sociais e saneamento, cada vez mais teremos um percentual crescente de idosos em nossa sociedade.
Existem variações e graus de independência entre pessoas com a mesma idade cronológica, sendo definido o conceito de independência como a habilidade de executar funções relacionadas à vida diária com alguma ou nenhuma ajuda de outros.
O ''envelhecer'' exige, em maior ou menor grau, cuidados adicionais, os quais muitas vezes, em função da vida moderna, não podem ser supridos por amigos ou familiares. Surge então a figura crescente dos cuidadores treinados para assistirem o idoso em suas especificidades, quando não mais conseguem ser plenamente independentes.
Esse suporte concede ao idoso e à família autonomia para que tenham vidas próprias, o que aprimora a autoestima do idoso assistido e seu relacionamento com seus pares, mantendo sua individualidade, dignidade e desvinculação com a necessidade de a família mudar seu dia a dia para assisti-lo diuturnamente.
Esta independência é conceituada como ''envelhecimento ativo'' adotado pela Organização Mundial da Saúde (World Health Organization, Brasília, 2005). Ademais, estudos comprovam que o fato de o idoso continuar morando em sua própria casa, sem a dependência de seus pares para cuidados essenciais, impacta positivamente em sua saúde e sociabilidade.
Com um cuidador, afasta-se ou, ao menos, minimiza-se a solidão e o isolamento, que são sentimentos muitos frequentes nesta fase da vida e extremamente maléficos para a saúde emocional e física dos idosos.
Envelhecer implica em perdas importantes, ainda que vivenciadas em diferentes graus. Tais perdas, algumas inevitáveis, podem e devem ser compensadas pelo ganho da sabedoria, conhecimento, experiência e tempo para gozar o bom que a vida pode oferecer.
Mônica Levi é analista transacional didata, especialista em terapia de casais, em psicologia clínica e hospitalar, psicoterapeuta, professora e supervisora.

