A Organização Mundial de Saúde (OMS) preconiza que os bebês sejam amamentados até os dois anos ou mais. A despeito da recomendação, muita gente ainda estranha quando se depara com mães amamentando em público. Para quebrar esse preconceito, o fotógrafo Flávio Santos, de Londrina, está fazendo um ensaio fotográfico com um grupo de mulheres alimentando os filhos em lugares corriqueiros da cidade. O objetivo é compartilhar as fotos nas redes sociais e, assim, reduzir o preconceito contra a amamentação em público e conscientizar sobre a importância do aleitamento materno.
A ideia, segundo Santos, surgiu em um grupo de mães que a esposa dele participa no Facebook. "Existem outros trabalhos parecidos, mas em lugares poéticos, na natureza. Meu objetivo é mostrar mães e bebês no cotidiano", conta ele, que tem dois filhos e está à espera do terceiro. A filha de 2 anos e 4 meses ainda mama no peito e provavelmente vai dividir a amamentação com o bebê mais novo. "Surgiram várias polêmicas na mídia sobre amamentação em público. Decidi fazer os ensaios para incentivar o aleitamento", afirma.
Uma das fotografadas é a professora Flavya Nunes, de 34 anos, mãe da pequena Cecília, de 4 meses. Depois de passar por várias dificuldades para conseguir amamentar a filha que nasceu um pouco antes do tempo e precisava ganhar peso, ela comemora, hoje, o sucesso da amamentação e decidiu participar do ensaio porque observa que muita gente fica constrangida quando a filha mama em ambientes públicos. "Queremos que amamentar em público seja algo natural", diz.
A analista de Correios Laís Silva, de 31, também teve dificuldades para amamentar o filho Luiz Antônio, de 1, porque teve baixa produção de leite. A solução encontrada foi a técnica da translactação, que consiste na oferta do leite materno - que ela ordenhava - por uma sonda acoplada ao peito da mãe. Com o movimento de sucção, a produção de leite foi estimulada. "Só ficou equilibrado depois de três meses", conta ela, que ouviu muita gente "aconselhando" a desistir da amamentação e dar leite artificial para o filho. "Foi uma escolha minha que nem todo mundo respeitou", conta.
Atualmente, ela busca incentivar outras mães no grupo de amamentação que participa. "Compartilhamos relatos sobre amamentação, desmame e alimentação complementar. É importante que haja acolhimento", opinou.
Flávia Rosa, de 35, é professora universitária e, como as outras participantes do ensaio, teve dificuldades para amamentar Maria, de 4 meses, nas primeiras semanas. "O parto normal foi mais tranquilo que a amamentação", compara. Como a filha não ganhava peso, a primeira orientação que recebeu foi oferecer complemento com fórmulas industrializadas. "Cheguei a complementar com meu próprio leite até estabilizar", diz ela, que espera poder amamentar em público sem receber olhares "atravessados" quando a filha for mais velha. "Como ela é bem pequena, as pessoas ainda acham normal."
Cecília Stábile, de 34, também é professora universitária e já sentiu na pele os olhares de reprovação alheios enquanto estava amamentando Pedro, de um ano e meio, em público. "Como ele já anda, brinca e fala, acham que não precisa mais mamar", relata a mãe, que pretende amamentar até 2 anos ou mais, como preconiza a OMS. "Acho importante conscientizar outras mães, amamentação não é só até os seis meses", ensina.

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