O currículo do engenheiro José Alberto Orsi, 44 anos, não é para muitos. Com formação na Universidade de São Paulo (USP), ele fez mestrado nos Estados Unidos onde sofreu o primeiro surto que anos depois confirmaria o diagnóstico de esquizofrenia. A inteligência do portador, que conta com muita clareza seu histórico de vida, se destaca ainda mais quando ele afirma ser uma pessoa feliz com todos as dificuldades que a doença lhe proporciona.
Atualmente Orsi é funcionário da Abre, onde trabalha com artes plásticas ajudando outros portadores, além de ser um ''faz tudo'' na entidade. Filho de um portador de esquizofrenia que morreu precocemente, o engenheiro chegou a presenciar vários surtos do pai quando era criança. Hoje, quase 20 anos depois de receber o diagnóstico da doença, a vida para ele acontece a passos lentos: um dia de cada vez.
''As pessoas costumam me perguntar se sou uma pessoa feliz. Eu acho que sou. Tenho algumas dificuldades, como não conseguir emagrecer ou fazer uma dieta. Eu fujo da nutricionista. Gosto de namorar, fazer amigos pela internet, mas vivo um dia de cada vez. Há dias, que é uma verdadeira luta conseguir sair da cama pela manhã'', afirma.
Orsi teve seu primeiro surto com 26 anos de idade. Depois que concluiu o mestrado no exterior, voltou para o Brasil onde hoje mora com a mãe. Além do tratamento medicamentoso, o portador nunca deixou de pintar. Para ele, a arte é uma maneira de exercitar o cérebro. ''Eu também leio um jornal por dia, assisto os noticiários na TV e me esforço para ver um filme por semana pelo menos. Já tive vários tipos de surto e as presenças de meus avós e da minha mãe sempre foram fundamentais'', finaliza. (F.B.)

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