"Quanto mais importante for a endometriose, maior a chance de estar ligada à infertilidade". Essa afirmação é dada pelo ginecologista Fernando de Paula, que atua há 15 anos em Londrina, realizando cirurgias de endometriose.

Isto que dizer que os impactos da endometriose na fertilidade da mulher vai depender muito da localização, do grau de avanço e grau de comprometimento nas estruturas importantes para gravidez, como útero, trompa e ovários.

De acordo com ele, há inúmeras teorias que relacionam a doença com a dificuldade da mulher em engravidar, mas nenhuma comprovada. A principal delas é que, por se tratar de uma doença inflamatória, o endométrio tende a ficar mais hostil à recepção do embrião.

"Mas há vários mecanismos a considerar, como a reação inflamatória da endometriose, o comprometimento de órgãos importantes para gravidez e até a distorção anatômica provocada pela doença", afirma.

Especificamente, a endometriose intestinal, dos ovários (chamada endometrioma), do útero e trompas, são as mais importantes na questão da fertilidade. No dia a dia, o cirurgião conta que discute o congelamento de óvulos, especialmente com pacientes em tratamento quimioterápico ou com endometriose com agressão ovariana, antes de toda intervenção cirúrgica.

Isso porque não existe tratamento clínico para endometriose. "E não há prevenção, apenas melhora dos sintomas clínicos, como o bloqueio da menstruação. Uma vez diagnosticada a endometriose, o tratamento definitivo é cirúrgico, onde serão removidos todos os focos, isto é, retirando toda a inflamação", explica.

De Paula ressalta que se a mulher fizer a cirurgia precocemente e os órgãos reprodutivos se apresentarem em perfeitas condições, ao retirar a doença ela terá a mesma chance de engravidar de uma mulher que nunca teve endometriose.

"Agora, se ela opera tardiamente, com o ovário muito comprometido, a melhor opção é estudar a reserva ovariana antes da cirurgia e se comprovada uma reserva baixa, a principal indicação é o congelamento de óvulos", completa.

A endometriose é uma doença genética que tem uma ação inflamatória. Basicamente, pode ser explicada pela presença do tecido endométrio fora do útero. Dependendo da localização da doença, os sintomas podem ser cólica, dor intestinal, dor para fazer xixi e para ter relações sexuais, além de náusea.

No Brasil, estima-se que seis milhões de brasileiras tenham a doença e um dos desafios importantes é o diagnóstico precoce. É por isso que março é marcado como Mês Mundial de Conscientização sobre a Endometriose. Em média, estudos apontam no País um período de sete anos entre o aparecimento dos sintomas e o diagnóstico definitivo. (M.O.)

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