A ausência de um sintoma específico do lúpus dificulta seu diagnóstico. O médico reumatologista Antônio Demétrio Comar Junior orienta que em função disto é preciso muita cautela. "Fazemos uma investigação, analisamos os sinais que o paciente apresenta e realizamos exames de sangue para dar subsídio à suspeita. É um diagnóstico essencialmente clínico", salienta. O lúpus pode ser sistêmico (Lúpus Eritematoso Sistêmico - LES) e neste caso apresenta sintomas em órgãos como pulmões, coração, rins e articulações, ou cutâneo, nesta forma as manifestações ficam restritas à pele.
Grande parte das pessoas acometidas pelo lúpus são mulheres entre 20 e 45 anos. O fator genético possui uma relação com o aparecimento do lúpus, mas só ele não basta. O reumatologista afirma que há necessidade de um "fator gatilho" para o aparecimento da doença. "Pode ser uma infecção ou uma situação de estresse, sabemos que fatores ambientais interferem nesta questão", afirma o médico. Ele ressalta que o fator emocional é importante e com o estresse há uma exacerbação da doença.
Outra questão que merece atenção e cuidado dos pacientes é o fato do lúpus não ter cura. "Há pessoas que ficam com a doença fora de atividade por muitos anos e conseguem até suspender a maior parte da medicação, mas a cura efetiva ainda não foi alcançada" afirma.
Alguns sintomas são comuns aos pacientes que apresentam a doença, mas em se tratando de lúpus, não há regras. "Queda de cabelo, sensibilidade aumentada à luz, aftas frequentes, dor, inchaço e rigidez articular, e manchas no rosto, conhecidas como "asa de borboleta", podem ser sinais da doença e devem ser investigados", alerta o médico. Dependendo do avanço e das características, a doença pode levar à insuficiência renal e respiratória, e até à morte. Para alcançar um bom resultado no tratamento, o paciente precisa adotar medidas de proteção como evitar a claridade e a radiação solar, suspender o tabagismo, adotar uma alimentação balanceada e evitar fatores que desencadeiam o estresse.
O tratamento convencional ainda utiliza corticoide em altas doses e isso causa inúmeros efeitos colaterais. "O uso excessivo de corticoide aumenta a pressão, o colesterol, causa enfraquecimento dos ossos, inchaço e pode provocar diabetes", explica Comar Junior. O foco dos pesquisadores e cientistas está em buscar formas de tratamento tão ou mais eficazes, porém, menos agressivas do que as atuais. (M.A.)

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