O atendimento psicológico é importante para qualquer paciente que esteja internado. No entanto, para aqueles que sofrem queimaduras o acompanhamento de um profissional desta área é primordial. De acordo com a psicóloga da Central de Queimados do Hospital Universitário de Londrina, Ana Lilian Parrelli, o que caracteriza o estado mental deste paciente é a questão da insegurança por conta de uma situação que foge do previsto. ''A maioria das pessoas não acredita que isso vai acontecer com elas. O impacto emocional não é só a dor, é a situação de se ver queimando e dos familiares presenciarem a cena também'', explica. Conforme ela, viver esta situação desencadeia uma desorganização emocional nas pessoas.
A psicóloga explica que no momento da internação do paciente, a maior preocupação da vítima e dos familiares é referente à integridade da vida. Depois que o paciente está fora de risco e que os enxertos são realizados surge a questão estética, por conta das cicatrizes que invariavelmente o ferimento deixa. ''O tempo para a cicatriz tomar a sua forma definitiva é de dois anos, tem paciente que aguarda ansiosamente este período para fazer a plástica reparadora na esperança de ficar bom'', afirma.
Segundo ela, apesar da questão estética ter um certo peso sobre a qualidade de vida dessas pessoas, a maioria dos pacientes fica bem porque dá mais valor à vida após passar por uma situação de risco de morte. ''A cicatriz aparente dificulta a retomada de vida para aquela pessoa, até o próprio paciente precisa aprender a lidar com aquela marca'', destaca. Por mais que o paciente se acostume com a cicatriz, a psicóloga destaca que é difícil lidar com a reação das outras pessoas. ''Muita gente olha com curiosidade, espanto. Há pacientes que utilizam esta reação para levantar a bandeira da prevenção de queimaduras, eles mostram que isso pode acontecer com qualquer um em um minuto de bobeira'', ressalta. (M.A.)

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