Eletrônicos emitem luz nociva à retina
PUBLICAÇÃO
domingo, 13 de outubro de 2013
Michelle Aligleri<br>Reportagem Local 
Uma das luzes emitidas pelos LEDs e pelas lâmpadas fluorescentes é tóxica e traz prejuízos à saúde ocular. Este é o resultado de uma pesquisa realizada por um grupo de cientistas franceses e apresentada em maio deste ano no congresso ARVO (Associação de Pesquisa em Visão e Oftalmologia sigla em inglês). De acordo com o estudo, o espectro de luz chamado de Azul-Violeta de Alta Energia (LVAE), emitido por estas fontes, acelera a morte das células da retina e pode provocar Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI). "A doença é uma das maiores causas de cegueira funcional em países industrializados, e é a segunda maior causa de cegueira na terceira idade", explica o médico oftalmologista Jayme Alves Junior.
Como hoje os computadores, tablets, smartphones e TVs têm telas de LED e se tornaram parte da rotina diária, seja em casa ou no trabalho, a exposição dos olhos à luz azul-violeta é intensa.
Segundo o estudo, esses aparelhos emitem uma luz azul inofensiva e outra que é nociva aos olhos, que precisa ser filtrada. No entanto, por conta da recente descoberta ainda não existem produtos que podem ser colocados à frente dos aparelhos para proteger a retina. Mas empresas que trabalham na área já estão desenvolvendo películas que filtram a luz azul-violeta, e podem ser aplicadas nas lentes dos óculos.
Síndrome
Apesar de ser recente a comprovação de que esta luz é prejudicial à saúde dos olhos, os oftalmologistas já sabiam que os computadores podem ser causadores da síndrome da visão de computador, um conjunto de sintomas que atinge entre 50% e 90% das pessoas que trabalham mais de três horas por dia em frente ao computador.
O oftalmologista explica que, diante do computador, os músculos do olho ficam contraídos para que a imagem seja formada com exatidão e isso por muito tempo causa fadiga visual. "Esta situação, associada ao fato de que quando estamos em frente ao computador nós reduzimos o número de piscadas, traz prejuízos à visão", afirma Jayme, orientado que o primeiro passo para contornar o problema é consultar um oftalmologista. "Precisamos identificar se a pessoa apresenta algum erro de refração. Em caso positivo, ela precisa usar óculos ou lente de grau para corrigir o problema", explica. Apesar disso, ele destaca que as pessoas que não usam óculos também são susceptíveis à síndrome.
As regulagens do brilho e do contraste do computador são indicadas para diminuir a emissão de luz para o olho. O oftalmologista acrescenta ainda que não é recomendável que se utilize o computador na penumbra, o ideal é que o ambiente tenha uma iluminação adequada e o monitor esteja ajustado de modo que o centro da tela fique um pouco abaixo da linha da visão.
A distância entre o olho e o computador deve ficar entre 50 e 60 centímetros. "É muito comum recebermos no consultório pessoas com dores de cabeça, embaçamento visual, lacrimejamento e sensação de areia nos olhos, estes são alguns sintomas desta síndrome", orienta.
Conforme ele, em alguns casos o paciente precisa utilizar colírios lubrificantes para aliviar o incômodo e mudar a rotina, incluindo uma pausa de dez minutos a cada hora trabalhada para descansar os olhos. Vale lembrar que além dos computadores, o uso excessivo de videogames, smartphones ou tablets também pode causar o problema.


