Eles querem... sexo
PUBLICAÇÃO
domingo, 10 de julho de 2011
Fernanda Borges <br> Reportagem Local <br> 
São Paulo - Longe de ser o tabu de até pouco tempo atrás, o sexo mudou de lado. Considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma direção para a saúde física, mental e social, ele é tão importante que reflete diretamente nas estatísticas relacionadas à qualidade de vida. Para o homem, em especial, o sexo é tão fundamental quanto o ato de respirar e, para a maioria deles, ter um bom relacionamento sexual significa garantir o gênero masculino. No próximo dia 15 é comemorado o Dia Internacional do Homem, data criada com o objetivo de promover a saúde deles. Um dos problemas que afetam os homens é a disfunção erétil (DE), que atinge 16% da população masculina mundial. A FOLHA escutou especialistas que indicam caminhos para o tratamento e
prevenção.
O psicólogo e terapeuta sexual, Oswaldo Martins Rodrigues Junior, diretor do Instituto Paulista de Sexualidade e membro da Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana (SBRASH), explica que o homem com problema de ereção tende a generelizar a dificuldade para outros setores de sua vida. Segundo ele, para a população masculina, os problemas sexuais têm o poder de afetar mais que apenas o relacionamento conjugal.
Para o homem, ter uma ereção equivale a ser chamado de homem. Os impactos do ponto de vista psicológico provocados pela disfunção erétil podem ser revertidos a partir de tratamentos adequados. Solucionar esse tipo de problema, que atinge homens em qualquer idade, os ajuda a resolver outros tipos de conflitos, diz.
A DE é definida como a incapacidade persistente para atingir ou manter uma ereção que dure o tempo suficiente para uma atividade sexual satisfatória. Apesar de muitas vezes ser vista como um assunto tabu, a disfunção erétil pode ser causada tanto por condições psicológicas quanto fisiopatológicas e por isso necessita de orientação médica.
Depressão
O presidente da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), Archimedes Nardozza Junior, lembra que 96% dos homens consideram a atividade sexual como uma das ações mais importantes da vida, mas muitos não buscam ajuda médica quando sofrem de disfunção. Indivíduos com depressão, por exemplo, tendem a sofrer mais do problema. A incidência da disfunção erétil aumenta com a idade, mas pode atingir qualquer um, comenta.
As condições psicológicas relacionadas à DE são estresse e ansiedade. Já as condições fisiopatológicas, de acordo com os especialistas, geralmente estão ligadas às doenças cardiovasculares, diabetes, dislipidemia (níveis altos de gordura no sangue), hipertensão arterial e obesidade abdominal. A disfunção erétil é, portanto, reconhecida como um indicador de tais condições que afetam a saúde geral, enfatiza o presidente da SBU.
O terapeuta sexual lembra ainda que a DE tem um impacto substancial na qualidade de vida e para o paciente pode resultar em perda de autoestima, prejuízo à autoimagem e interrupção de relacionamentos interpessoais. Sabemos que ainda existe cerca de 3% a 4% da população que diz viver muito bem sem sexo, mas a grande maioria não. É justamente com essa população, que busca principalmente um bom desempenho sexual, que estamos preocupados. O homem afetado pela disfunção erétil tende a nutrir sentimentos negativos em relação à parceira (como raiva) ou a si mesmo, caindo em um quadro depressivo. A possibilidade de um tratamento permite que a pessoa se sinta mais confiante, reforça Oswaldo Martins.
Tratamento orodispersível
Uma nova opção de medicamento no mercado deve ajudar homens com problemas de disfunção erétil. Lançado nesta semana no Brasil, o Levitra ODT da Bayer HealthCare é um medicamento que dissolve na boca em segundos, sem a necessidade de líquido, e que pode ser consumido momentos antes da relação sexual.
O comprimido pertence à uma classe de medicamentos chamada inibidores da fosfodiesterase da PDE-5 que são usados no tratamento da DE. Esses inibidores normalmente trabalham bloqueando uma enzima para melhorar ou prolongar a resposta erétil após a estimulação sexual. O medicamento só poderá ser comercializado com prescrição médica, custa R$ 17 (o comprimido) e conta com efeitos colaterais como rubor facial, alteração intestinal e dor de cabeça.
* A jornalista viajou a São Paulo a convite da Bayer HealthCare.

