Depois de levar um susto com o primeiro filho, a professora Gisele Loureiro, de 35 anos, não deixou para depois a consulta oftalmológica do pequeno Bernardo, de seis meses. Os exames no bebê apresentaram resultado normal, o que tranquilizou a família. Gisele conta que seu filho mais velho, Vinícius, de 12 anos, acabou indo muito tarde ao oftalmologista e o resultado foi a descoberta de vários problemas oculares simultâneos. "Como eu e o pai dele não temos problema de visão, achei que não seria necessário fazer este acompanhamento tão próximo", explica. O que ficou desta experiência foi um sentimento de culpa. "O Vinícius foi alfabetizado praticamente sem enxergar", lamenta a mãe.
O menino foi ao oftalmologista pela primeira vez aos sete anos quando descobriu que tinha sete graus de hipermetropia, além de astigmatismo. Com o uso do óculos, o grau de hipermetropia de Vinícius apresentou uma redução e está estável há um ano e meio. Gisele sabe que na adolescência esta situação pode mudar, por isso ela e Vinícius não abrem mão das consultas periódicas com o oftalmologista.
A professora afirma que ele aderiu muito bem ao tratamento e não esquece o comentário feito pelo filho na primeira vez que ele colocou o óculos, ainda dentro do carro na saída do consultório médico. "Ele disse: ‘mãe, como as coisas são bonitas e perfeitas’. Me sinto culpada por ter demorado tanto para perceber que ele tinha dificuldade de enxergar", comenta a professora. "A ideia agora é prevenir problemas oftalmológicos no Bernardo", salienta.
Recentemente, o pai de Bernardo, Reginaldo Marques, de 31, descobriu após exames oftalmológicos que pode ser portador de uma doença que afeta a córnea, a ceratocone, por isso a atenção será redobrada com o Bernardo. Para a família, a palavra de ordem agora é prevenção.(M.A.)

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