Ao informar que até a mínima perda urinária merece atenção e deve ser tratada, a fisioterapeuta Débora Beckner, especialista em postura e períneo, percebeu uma expressão de surpresa entre o público.
Isso aconteceu em um evento em Londrina, realizado no último dia 14, pelo Núcleo de estudos do Assoalho Pélvico, Postura e Sexualidade (Napps), reunindo mais de 80 pessoas.
"Como é um tema cheio de tabu, as pessoas ainda têm dificuldade de se colocar e acabam achando que isso é algo natural", diz. E as estimativas não a deixam mentir. Acredita-se que apenas uma entre quatro mulheres sintomáticas procura ajuda profissional, pois a maioria se sente constrangida em falar sobre o assunto até com os familiares e amigos.
A Sociedade Brasileira de Urologia reconhece, inclusive, que os impactos da incontinência urinária não são somente fisiológicos, mas psicológicos, podendo levar à baixa autoestima, isolamento social e depressão.
Uma realidade que a londrinense de 62 anos não quer nem pensar. Sempre em busca de informação e realizando check-ups anuais no ginecologista, ela, que não quis ter o nome revelado, iniciou as sessões de fisioterapia logo que descobriu a incontinência urinária.
"Uma pequena perda de urina quando espirrava ou tossia foi suficiente para eu buscar o médico", conta ela, que sob o ponto de vista social, pensava na possível progressão do problema.
"A gente sabe que algumas pessoas têm perda significativa e, por isso, no momento que detectei, fui procurar ajuda. Quanto mais cedo providenciarmos uma solução, melhores são os resultados", diz a administradora aposentada.
Ela pratica exercícios na clínica e em casa, focando na contração do assoalho pélvico. "Não estou totalmente resolvida porque é um tipo de tratamento que é contínuo, como toda prática de exercícios. O corpo vai respondendo com a intensidade e continuidade e, por isso, é importante o acompanhamento profissional", conclui. (M.O.)

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