O fato de alguns tipos de câncer de ânus não apresentarem sintomas até que se atinja um estágio avançado, evidencia ainda mais a necessidade de falar sobre o tema no Dia Mundial de Combate ao Câncer, celebrado em 08 de abril.

Além disso, outros tipos de câncer nessa região podem ter sintomas muitos semelhantes aos de outras doenças, resultando em um diagnóstico tardio. A Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) afirma que o câncer anal corresponde a 2 a 4% das neoplasias malignas do intestino grosso e tem entre suas principais causas, o papilomavírus humano (HPV).

A infecção pelo HPV costuma ocorrer no início de cada relacionamento. A maioria das pessoas não se dá conta que foi infectada e consegue eliminá-lo de quatro meses a dois anos. Porém, nos indivíduos nos quais o sistema imunológico falha, o vírus persiste, podendo aparecer verrugas anogenitais ou alterações do tecido, que podem evoluir para o câncer (no colo uterino, na vagina, no pênis, no ânus ou na boca).

A presidente da SBCP, Maria Cristina Sartor esclarece que a doença "nem sempre há sintomas, mas alguns pacientes podem apresentar sangramento, dor, sensação de massa no canal anal, alteração do hábito intestinal, feridas, coceira, secreção e ínguas na virilha."

O câncer de ânus se caracteriza-se pela presença de tumor na borda anal ou no canal anal. Através de exame clínico seguido de uma biópsia, o coloproctologista poderá ter o diagnóstico. Se a lesão estiver localizada na borda, o tratamento consiste na retirada cirúrgica.

Já se o tumor estiver no canal ou mais próximo ao reto, é necessária cirurgia associada a radioterapia e quimioterapia – tumores menores que 2 cm têm maior probabilidade de cura. Em situações especiais pode ser necessária a amputação do ânus e a confecção de uma colostomia definitiva.

Prevenção

Sendo o HPV, uma das principais causas, o uso de preservativo pode diminuir o risco de contágio. No entanto, especialistas reforçam que a camisinha não cobre todas as áreas que possam estar infectadas e por isso, a proteção não é de 100%.

Outra medida protetiva é a vacinação contra o HPV (preferencialmente antes do início da vida sexual). Neste ano, o Brasil passou a oferecer a vacina também para os meninos na faixa etária de 12 a 13 anos. O País é o primeiro da América do Sul e o sétimo do mundo a oferecer a imunização para os meninos dentro do programa nacional.

Vale lembrar que a imunização que já é destinada às meninas, pode prevenir ainda os cânceres do colo do útero, vulva, vagina, pênis e orofaringe, impactando também na redução dos casos de HPV e mortes provocadas pelo vírus. Além do preservativo e imunização, ter uma alimentação balanceada, não fumar e praticar uma atividade física regular também são hábitos importantes.

De acordo com a SBCP, entre os fatores de risco para o câncer anal estão: condiloma (verruga) anal provocada pelo HPV, sexo anal, histórico de DSTs, múltiplos parceiros sexuais, história de câncer do colo do útero, baixa imunidade e tabagismo. Pesquisas apontam maior incidência de verrugas na região perianal entre homens homossexuais que desenvolveram câncer anal quando comparado a mulheres e homens heterossexuais.

Colorretal

Além do câncer anal, a SBCP reforça a importância da prevenção de outro tipo de câncer, o colorretal, que figura entre os três tipos mais incidentes no Brasil. Segundo o Inca, a estimativa é de 34 mil casos de câncer do cólon e reto (16.660 em homens e de 17.620 em mulheres) para o biênio 2016/2017.

A doença pode se manifestar com mudança súbita dos hábitos intestinais (como prisão de ventre, diarreia ou distensão abdominal prolongadas) e sangramento. Mas geralmente os sintomas só aparecem em estágios avançados.

A recomendação da SBCP é que todo indivíduo a partir dos 50 anos procure o coloproctologista para realização da colonoscopia. Se houver histórico familiar de câncer colorretal, pólipos, inflamações crônicas no intestino ou outros tipos de câncer no abdome, a visita deve ocorrer antes. Por meio da colonoscopia pode-se retirar possíveis adenomas, tumores benignos que precedem a maioria dos tumores do intestino grosso e que são mais comuns em faixas etárias mais avançadas.

Pesquisas apontam ligação entre o câncer de intestino e o consumo exagerado de carne vermelha, defumados e embutidos. Então, a recomendação é ter bom senso na ingestão desses tipos de alimento.

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