'É preciso esforços que desafiem a rotina diária'
O educador físico Juliano Machado, doutor em Fisiologia pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP, afirma que é preciso esforços físicos que desafiem a rotina diária para sentir os benefícios das miocinas.
"A atividade física, de maneira geral, é importante para algumas qualidades em relação à saúde, mas quando se desafia o corpo, acima do limiar que realizamos no dia a dia, fazemos com que diferentes células, órgãos e sistemas acabem se adaptando àquele novo estresse, trazendo efeitos que são mais benéficos", esclarece.
Ele, que atua no laboratório de Controle do Metabolismo, acompanhado pela pesquisadora Ísis do Carmo Kettelhut, explica, por exemplo, que a caminhada deve ter uma frequência cardíaca um pouco mais elevada que o normal (geralmente não passa de 110 batimentos por minuto), dependendo da idade do indivíduo.
"Um indivíduo de 50 anos que começa uma caminhada e passa a ter um batimento de aproximadamente 120 por minuto significa que o exercício é intenso, o suficiente para fazer com que o sistema cardiorrespiratório dele seja desafiado", cita.
De acordo com Machado, quando causamos diferentes estresses no corpo todo, por meio da prática intensa de exercícios físicos, há uma ativação do sistema nervoso simpático que liberará neurotransmissores. Estes vão se ligar em receptores da musculatura esquelética e, consequentemente, ativarão a maquinaria celular que causa a produção de diferentes miocinas.
Das miocinas "decifradas", a irisina tem um fator muito importante no metabolismo corporal total e foi uma grande descoberta da ciência. Ao ser liberada pelo músculo, ela se liga em receptores específicos no tecido adiposo branco, conhecido por acumular gordura, energia e que tem associação com o diabetes e a obesidade, entre outros.
"Quando a irisina se liga nesse tecido adiposo, ela começa a fazer com que as células nesse local modifiquem o seu fenótipo, ou seja, muda de branco para um tom amarronzado. O tecido adiposo marrom só gasta energia e isso está relacionado com vários benefícios", aponta.
Machado detalha que animais que foram manipulados geneticamente e, por isso, super expressam proteínas específicas no músculo, que aumentam o conteúdo plasmático de irisina, são mais resistentes à obesidade, assim como o diabetes induzido pela dieta hiperlipídica (rica em gordura saturada), quando comparados com animais que não tiveram nenhuma manipulação genética.
"Esses estudos mostraram que animais, assim como humanos, ao praticarem exercícios físicos, em uma intensidade mais elevada, ativavam a mesma maquinaria que foi ativada geneticamente. No fim de todo o processo, o resultado é de um maior gasto energético", cita. (M.O.)




