É preciso entender a menopausa
PUBLICAÇÃO
domingo, 07 de setembro de 2014
Micaela Orikasa<br> Reportagem Local 
É fato. Em algum momento da vida de todas as mulheres a menopausa será um assunto a ser encarado e, nessa hora, quanto mais naturalidade e esclarecimento, melhor será a adaptação à nova realidade.
Apesar do tema ser tão "íntimo" ao universo feminino, ainda há alguns mitos que levam as mulheres a temer a menopausa. A pesquisa Femme Survey, realizada pelo Instituto Harris Interactive, mostrou que a falta de informações ainda é o maior entrave para que as mulheres vivam bem esta etapa.
Encomendada pela Pfizer e realizada com 906 mulheres de 40 a 65 anos no Brasil (501) e México (405), a pesquisa revela também que menos de 5% das brasileiras e mexicanas se preocupam com o assunto.
"As mulheres continuam discutindo muito pouco com o médico. Muitas vezes elas não querem pensar sobre a menopausa, pois ainda a encaram como uma fase difícil e, por isso, têm restrição até de se informar", afirma a ginecologista e mastologista Maria Augusta Bernardini, gerente médica do Laboratório Pfizer.
Segundo ela, a representação da fase como um envelhecimento é uma preocupação comum às pacientes. "Mas não é isso. É uma maturação do organismo, uma fase natural. A relevância da pesquisa é no sentido de mostrar que o conhecimento ajuda passar essa transição de forma mais amena. Quando você está preparado para alguma coisa, você encara o processo de uma maneira diferente", afirma.
Ginecologista há 33 anos e pesquisadora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) na área de menopausa, Ana Lucia Ribeiro Valadares acrescenta que este período ainda é temido porque representa uma fase relativamente nova na vida das mulheres.
"Até o século passado, as mulheres viviam até os 50 anos. Então, a maioria morria antes mesmo de entrar na menopausa. Além disso, há uma tendência de vincular esse período com a velhice, mas o importante é encarar o climatério como uma oportunidade de melhoria de vida, de hábitos mais saudáveis", afirma.
A menopausa é considerada, na verdade, uma data. É a última menstruação e o diagnóstico é feito de maneira retrospectiva. A mulher precisa ficar um ano sem menstruar e sem ter outras causas patológicas, ou seja, sem nenhuma outra doença que justifique a falta de menstruação.
"Ela tem dia, mês e ano para acontecer. É uma data mesmo, diferente do climatério, que é uma fase de transição que dura alguns anos e ocorre entre o período reprodutivo da mulher e o não reprodutivo", explica.
Nesse processo, os ovários entram em falência e as concentrações dos hormônios femininos - estrogênio e progesterona diminuem. E essas alterações hormonais representam alguns sinais que podem impactar significativamente a vida das mulheres.
"Quando os níveis hormonais caem, realmente a mulher passa a ter os sintomas que são os fogachos, as ondas de calor que acontecem a partir do tórax para cima, palpitação e sudorese. Em muitos casos, eles impactam bastante na qualidade de vida porque as mulheres costumam parar o que estão fazendo para conseguir se aliviar", explica.
A percepção das mulheres sobre os sintomas da menopausa também surge no estudo com 44% delas afirmando que os fogachos são extremamente incômodos. Muitas (34%) revelam ainda que as ondas de calor acontecem seis vezes ou mais ao dia e 58% apontam esse sintoma como um dos principais motivos para procurar o médico.
"A mulher sente esse calor porque aumentam alguns hormônios contrarreguladores. É um estímulo hormonal para contrabalançar esses hormônios (estrogênio e progesterona) que está faltando", afirma.
Além da mudança biológica, o quadro emocional também passa por alterações que podem ser atribuídas à fragilidade da mulher neste período. Muitas apresentam mudanças de humor, depressão, irritabilidade, entre outros.

