''As pessoas vivem hoje a cultura da felicidade. Elas não se permitem sentir qualquer desprazer e acreditam que precisam estar bem o tempo inteiro''. A afirmação é da psicóloga Simone Oliane. Como exemplo, ela cita as redes sociais em que as pessoas descrevem como são felizes o tempo todo. ''Apesar de divulgarem esta felicidade infinita, a vida é cheia de encontros e desencontros. É normal sentir-se triste em alguns momentos'', reforça.
De acordo com a psicóloga, a tendência é que as pessoas fujam das situações em busca de eliminar as frustrações da vida. Ao analisar um paciente que afirma estar em depressão, a psicóloga investiga três fatores: a forma como a pessoa reage ao ambiente, a história de vida, e o que ela aprendeu com o ambiente e suas práticas culturais.
Simone destaca que um comportamento se instala e se mantém porque ele é reforçado. ''A pessoa pode ser assim porque, em algum momento, o ato de queixar-se dos problemas trouxe benefícios, neste caso, ela acaba repetindo sem perceber'', explica.
Por outro lado, se os comportamentos não são reforçados e a pessoa não sabe lidar com negativas, ela pode entrar em depressão. ''Quando eu me comporto de determinada forma e recebo uma recompensa positiva, meus neurônios liberam dopamina (o hormônio do bem-estar). Se eu me comportar da mesma forma e for punida ou não receber a recompensa positiva, os neurônios não liberam a dopamina''. O corpo todo acaba reagindo à baixa produção de neurotransmissores e isso resulta na ausência da sensação de bem-estar.
O Brasil é um dos países que mais prescrevem antidepressivos e isso nem sempre é feito de maneira adequada. Para Simone, a 'medicalização da vida' é um dos fatores que contribuem com a depressão. ''Existe uma tendência de combater a frustração, a ansiedade e a tristeza com remédios. As pessoas esqueceram que estes sentimentos são naturais e fazem parte da vida. (M.A.)

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