Se na infância uma criança com Síndrome de Down tem o desenvolvimento normal, apesar do atraso, na adolescência e na idade adulta a situação não é diferente. Nesta fase da vida, no entanto, eles já começam a entender a diferença que as pessoas apontam a todo momento. As questões hormonais contribuem para deixar esta etapa ainda mais turbulenta. A psicóloga da APS Down, Tamiris Sasaki de Oliveira, explica que a questão da infantilidade é um peso. ''Há famílias que tratam os filhos com Down como eternas crianças e isso dificulta o processo de crescimento'', explica.
Com a chegada da puberdade a sexualidade aflora e a psicóloga destaca que é muito importante conversar a respeito do assunto. ''As pessoas com Down têm atraso para aprender, mas aprendem se forem ensinados'', orienta. Tamiris lembra que na fase da adolescência há dificuldade dos pais aceitarem os namoros. ''Eles tentam impedir, sentem medo quanto ao futuro daquele filho, mas a não informação e a falta de explicações acabam complicando mais a situação'', destaca.
Para a psicóloga, o ponto mais importante é tratar a pessoa com Síndrome de Down como qualquer outra. ''Muitos pais infantilizam os filhos, fazem de tudo por eles e isso os torna mais dependentes, mas chega uma hora que os pais percebem que não vão viver para sempre e que é preciso dar uma certa autonomia para este filho'', ressalta Tamiris.
A estimulação desde cedo propicia mais habilidades e melhora os fatores que são afetados pela síndrome. A psicóloga explica que para que a pessoa com a síndrome tenha uma vida normal é preciso que a família tenha uma boa aceitação. ''Pessoas com a Síndrome de Down podem trabalhar, casar, tudo com um pouco de assistência da família, mas eu não vejo limitação. A gente precisa mudar o olhar, é fundamental acreditar e investir nas potencialidades, assim a própria pessoa passa a acreditar em si'', conclui. (M.A.)

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