É melhor se exercitar com prazer e moderação
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domingo, 18 de maio de 2014
Michelle Aligleri<br>Reportagem Local 
Combater o sedentarismo e emagrecer. Esta fórmula batida é repetida por dez entre dez médicos e educadores físicos. Mas iniciar e dar continuidade à prática de exercício físico nem sempre é fácil, especialmente quando se está acima do peso. A presença de um professor de educação física incentivando e aumentando a carga de exercícios pode ser benéfica para alguns, mas para a maioria das mulheres obesas este acompanhamento e a pressão pela busca de resultados podem trazer experiências negativas. Esta é a constatação do professor de educação física Luis Alberto Garcia Freitas, da Universidade Estadual de Londrina.
Em sua tese de doutorado - orientada por Sérgio Gregório da Silva - defendida recentemente, Freitas analisou dois grupos de mulheres obesas e sedentárias que começaram a praticar atividade física juntas. O primeiro poderia executar os exercícios no ritmo que considerava mais adequado e o segundo deveria seguir as instruções do professor que exigia que elas empenhassem mais força e velocidade na caminhada. "Notamos que, apesar de perder mais peso, houve mais desistência entre as mulheres do segundo grupo", explica. Conforme ele, é melhor fazer atividade física num ritmo mais lento, porém, rotineiramente, do que se exercitar além da capacidade e voltar ao sedentarismo depois de algumas semanas de empenho.
O estudo, realizado em parceria entre a UEL e a Universidade Federal do Paraná (UFPR), foi baseado na seguinte pergunta: "Porque as pessoas não conseguem adquirir o hábito de praticar exercícios ao longo da vida"? De acordo com Luis, um dos fatores que levam ao abandono é o ritmo dos exercícios. "As pessoas querem resultados rápidos e se frustram quando não alcançam", analisa Freitas. De acordo com o Ministério da Saúde, o índice de sedentarismo no País em 2011 era de 14%. Pesquisas realizadas em 2013 apontaram que 49% da população apresentava sobrepeso no Brasil. "Ao mesmo tempo em que as pessoas sabem dos benefícios da atividade física, estamos vivendo um momento em que o índice de sedentarismo está muito elevado", aponta.
Na pesquisa, Freitas constatou que no primeiro grupo de mulheres (aquele que fazia caminhada no próprio ritmo) houve um abandono de 12% das participantes ao longo de um período pré-determinado. Já no grupo que deveria seguir o ritmo de caminhada imposto pelo professor, o abandono foi de 52%. "A imposição de um ritmo mais forte faz com que a pessoa apresente resultado mais rápido. Ela realmente perde peso e melhora a sua condição cardiovascular, mas notamos que o ritmo imposto diminui o prazer da mulher na prática da atividade. Ela passa a ter dores, maiores chances de lesão e, por isso, muitas desenvolvem aversão ao exercício e abandonam a prática", justifica.
O professor acrescenta que quanto mais prazer a pessoa sente ao realizar a atividade física, menores são as chances de abandonar esta rotina. "Percebemos que quanto mais difícil fica o exercício, mais negativa é a avaliação do aluno após a aula", destaca. De acordo com ele, a conclusão é que as mulheres devem fazer exercício em uma intensidade que lhes dê prazer. "Recomendo aos personal trainers e às academias que usem mais a escala de sentimento e de esforço para avaliar seus alunos. O mais importante é manter o hábito de fazer exercício mesmo que em menor intensidade", conclui.

