Droga antidiabetes pode ajudar a tratar Alzheimer
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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Folhapress 
São Paulo - Pesquisadores brasileiros deram um passo importante para mostrar que o mal de Alzheimer é uma espécie de "diabetes do cérebro" e poderia, inclusive, ser tratado com remédios para diabéticos.
A conclusão está na pesquisa que é a capa da revista científica "Cell Metabolism", cujo primeiro autor é Mychael Lourenço, do Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).
A equipe da universidade, liderada por Fernanda De Felice e Sérgio Teixeira Ferreira, já tem uma série de trabalhos mostrando as conexões entre Alzheimer e diabetes. Uma das pistas a esse respeito é o fato de que o hormônio insulina, mais conhecido por seu papel no controle dos níveis de açúcar no sangue, também atua no cérebro, ajudando a promover as conexões entre os neurônios e a própria sobrevivência deles.
A hipótese dos pesquisadores da UFRJ é que alterações na atuação da insulina no cérebro poderiam abrir caminho para as maçarocas de proteína beta-amiloide que destroem os neurônios no mal de Alzheimer. No novo estudo, a equipe mostrou que essas maçarocas de beta-amiloide ativam algumas das mesmas moléculas que levam o organismo dos diabéticos a não responder mais à insulina. São moléculas ligadas a processos inflamatórios, as quais parecem estar por trás da perda de conexões entre neurônios. A seguir, em camundongos, os cientistas viram o que acontecia se drogas usadas para diabetes, como a liraglutida, fossem dadas aos bichos. Aparentemente, o remédio protegeu as conexões cerebrais dos roedores e até as restaurou. "Também conseguimos demonstrar esse efeito protetor em macacos", diz De Felice. O próximo passo é testar a ideia em humanos, de preferência com drogas que atuem apenas no cérebro, para evitar efeitos colaterais.
"Dois grupos de colaboradores nossos nos EUA e no Reino Unido estão fazendo esse teste, mas vamos precisar de alguns anos para ter resultados mais claros", diz. De Felice ressalta que pessoas com Alzheimer não devem usar insulina por enquanto, porque o excesso da substância pode impedir que ela chegue ao cérebro.

