"Olho no espelho e me sinto completamente satisfeita. Para minha idade, acho que estou ótima". É com um tom alegre que Sônia Vercesi, de 79 anos, fala sobre o resultado de uma cirurgia plástica realizada há três anos.
Ela diz que sempre se considerou uma pessoa muito feliz, porém se incomodava ao ver a pele castigada pelos efeitos do tempo e, principalmente, pela exposição excessiva ao sol e o vício do cigarro. "Não chamo isso de vaidade, mas acho que tenho a obrigação de estar bem com a aparência. É por mim mesma e é isso que importa", afirma.
A sensação de "fazer algo por si próprio", aliada a outros fatores, é uma das respostas para o comportamento que os idosos vêm apresentando em relação à estética. O geriatra Gabriel Utzumi, de Londrina, comenta que o aumento da população com 65 anos ou mais, associado às mudanças culturais e a melhora na qualidade de vida, torna natural a preocupação com a aparência e a saúde.
"Diferentes estudos revelam que pessoas com elevada autoestima podem ter maior resiliência (capacidade de lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas), influenciando positivamente na maneira como cuidam ou cuidarão de sua saúde, o que aumenta a possibilidade de uma melhor qualidade de vida e envelhecimento bem-sucedido", ressalta.
Um dado divulgado recentemente pela Sociedade Americana de Cirurgia Plástica e Estética (Isaps, em inglês) mostra que 10% dos pacientes que realizaram cirurgia plástica no ano passado, tinham mais de 65 anos. Outro estudo, de 2008, da Associação Brasileira de Cirurgia Plástica aponta que das 629 mil cirurgias realizadas no período, 241 mil foram em pessoas entre 51 e 64 anos e 24 mil em pessoas acima de 65 anos.
Diante dos números e das novas formas de comportamento, muitos especialistas brasileiros apostam em um crescimento para os próximos anos. "A tendência é aumentar pela difusão cultural, pois hoje a cirurgia plástica já é um procedimento conhecido pela população. Além disso, hoje há mais segurança pelas novas técnicas e medicamentos, o que permite bons resultados", afirma Walter Zamarian Junior, cirurgião plástico em Londrina.

CIRURGIAS DE FACE
Atuando há dez anos em Londrina, Zamarian observa que os tipos de procedimentos também vem se modificando. Até hoje, as mais procuradas são as cirurgias de face, como as de pálpebra e o lifting facial, mas está surgindo também uma demanda de pacientes interessados em mudar o nariz e fazer implante mamários.
Quanto à motivação, o cirurgião diz que a maioria relata não ter tido oportunidade antes e que, agora, estão decididos a valorizar mais a autoestima. "Percebo também que há pacientes que passaram por alguma situação marcante e que acreditam merecer uma recompensa, em benefício de si próprios", comenta.
O especialista aponta também que comparada com outras áreas da medicina, a plástica é relativamente recente na vida dos brasileiros e, por isso, há muitos idosos com vontade, porém com receio. "Muitas vezes no primeiro contato, eles procuram algo menos invasivo para ir adquirindo confiança", afirma.
Aos 65 anos, Sônia Vercesi conta que realizou a primeira cirurgia (de pálpebras) com o médico. Anos depois, ela o procurou novamente para fazer o lifting facial. "Muitas amigas querem fazer uma plástica, mas dizem que falta coragem. Se não fosse a confiança que eu tenho nele, talvez eu não teria feito isso. É um ponto a ser considerado", revela.

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