Uma pesquisa realizada por uma médica de Toledo pode contribuir para mudanças na forma de tratamento de mulheres com síndrome dos ovários policísticos (SOP). Concluído esse mês, o estudo comprovou que é possível a preescrição de uma dosagem menor do cloridrato de metformina às pacientes com SOP sem interferir na eficácia do tratamento. A substância é usada no combate ao diabetes desde o ano de 1957 e, desde 1994, passou a ser utilizada por mulheres com a síndrome e que pretendem engravidar. O estudo intitulado Ensaio Clínico Randomizado com Cloridrato de Metformina foi desenvolvido por profissionais da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e durou um ano e seis meses.
Com doses menores, a médica ginecologista Naura Tonin, constatou que os efeitos adversos do medicamento também são reduzidos e a eficácia é a mesma. O estudo recrutou mulheres dispostas a participar da pesquisa como voluntárias. Ao todo participaram 18 pacientes com idade entre 18 e 40 anos que apresentavam ovários policísticos e com resistência à insulina (o que significa uma tendência futura a ter diabetes). ''Uma paciente gestou durante o estudo, o que é esperado e considerado como resposta positiva ao tratamento. Foram observados eventos adversos em 27% das pacientes, o que é concordante com a literatura'', diz.
Segundo Naura, os principais eventos adversos do remédio são náuseas, vômitos, diarreia e gases, principalmente durante o início do tratamento. Esse é um dos motivos que leva ao abandono por muitos pacientes. Atualmente os médicos ginecologistas prescrevem entre 1,5 a 2 mil mg do remédio às pacientes. ''A pesquisa mostrou que a dose de 1000 mg ao dia é promissora'', diz.
Durante o acompanhamento, as mulheres foram divididas em dois grupos e submetidas a exames de ecografia, laboratoriais e hormonais. A médica explica que se este resultado for repetido em várias populações e com um número expressivo de pacientes, poderá se tornar um consenso e passa a ser recomendado pelas sociedades de especialidades como ginecologistas, obstetras ou endocrinologistas.
''Como ginecologista, ao tratar pacientes com ovários policísticos em uso de metformina, observava eventos adversos frequentes. Comecei a perceber melhora nas pacientes que tomavam apenas duas cápsulas (1000mg) e a resposta ao tratamento era o mesmo aquelas que tomavam três cápsulas (1500mg). Após a publicação desta pesquisa em revista científica, passará a ter valor científico''.

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