Uma em cada dez pessoas tem algum tipo de disfunção tireoidiana e a incidência deste tipo de distúrbio aumenta após os 60 anos. Os números são da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), que também aponta que uma em cada cinco mulheres, que buscam médicos ginecologistas para iniciar a reposição hormonal, apresenta, na verdade, problemas tireoidianos. Apesar da incidência ser maior nas mulheres após a menopausa, os problemas de hipo ou hipertireoidismo podem acometer pessoas de ambos os sexos e de qualquer faixa etária.
A tireoide é uma glândula, situada na garganta, com formato que lembra uma borboleta. Ela produz hormônios e controla diversas funções do organismo, como o sono e a vigília, a concentração, a temperatura, os batimentos cardíacos, o fluxo gastro intestinal, entre outras. Quando o organismo começa a produzir estes hormônios em excesso (hipertireoidismo) ou em menor quantidade (hipotireoidismo), o corpo passa a apresentar alterações de função.
Os sintomas apresentados por pessoas que têm disfunções na tireoide são comuns a várias outras doenças, por isso nem sempre eles são reconhecidos e grande parte dos pacientes acaba ficando sem diagnóstico e tratamento.
A médica endocrinologista Renata Liboni explica que no caso do hipertireoidismo, o organismo trabalha de forma mais acelerada. "O paciente pode apresentar perda de peso, agitação, ansiedade; o coração fica mais acelerado e a pessoa se sente mais agitada e com mais calor", elenca. Conforme ela, os sintomas podem ser confundidos com ansiedade ou síndrome do pânico.
A diretora do departamento de tireoide da SBEM, Laura Ward, explica que há dois tipos de hipertireoidismo: o primeiro é a Doença de Graves, que geralmente atinge mais os jovens. Ela apresenta um quadro clínico de evolução rápida e é iniciada por conta de um estresse emocional ou físico que desencadeia a autoimunidade. "Esta forma de hipertireoidismo (Doença de Graves) é mais frequente do que o Diabetes Melitus Juvenil", salienta Laura. A segunda forma de hipertireoidismo é chamada de Bócio Nodular Tóxico, que acomete indivíduos de idade mais avançada e se instala mais lentamente, dificultando a identificação dos sintomas, que muitas vezes são confundidos com a menopausa.

Tratamentos
Pessoas de todas as faixas etárias podem apresentar o funcionamento acelerado da tireoide e uma manifestação extensa pode levar ao coma e à morte. A causa mais comum da doença é autoimune e o tratamento pode ser feito de três maneiras, como explica Laura. "A primeira opção terapêutica é baseada em medicamentos que bloqueiam o funcionamento tireoidiano. Fazendo isso eu interrompo a glândula, mas não a autoimunidade. Cerca de 40% dos indivíduos apresentam um resultado positivo a este tipo de tratamento, mas os demais pacientes apresentam reincidência da doença se interromperem a medicação". O tratamento também pode ser cirúrgico, mas só é indicado para casos muito especiais. E a médica destaca que há ainda outra modalidade terapêutica que é feita com o iodo radioativo. "O iodo é a matéria-prima dos hormônios da tireoide e a radioatividade queima esta glândula intencionalmente", explica. Mas, segundo Laura, estas duas últimas formas de tratamento trazem outro problema de saúde: elas destroem a tireoide, causando o hipotireoidismo (veja mais nesta página).

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