Doenças do sono podem até matar
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domingo, 30 de março de 2014
Michelle Aligleri<br>Reportagem Local 
O médico especialista em distúrbios do sono Attílio Salvador Melluso Filho lembra que em média 40% da população mundial dorme mal e que são diversos os distúrbios que contribuem para isso. Diante dos números crescentes de queixas de insônia nos consultórios, o médico afirma que a doença relacionada ao sono mais grave e mais comum é a apneia obstrutiva do sono. "Isso acontece porque as paredes da garganta relaxam e se encostam, a pessoa ronca e para de respirar. A falta de oxigênio resulta num sono agitado e pode até mesmo levar a óbito", ressalta. Segundo o médico, este tipo de transtorno respiratório pode favorecer o aparecimento de hipertensão, doença cardíaca, acidente vascular cerebral e diabetes.
O tratamento para o problema inclui o uso de máscara de ventilação durante o sono. Para distúrbios leves, alguns medicamentos podem trazer bons resultados, mas há casos que requerem cirurgia para remover o excesso de tecido da orofaringe.
Diante de qualquer dificuldade encontrada para dormir ou durante o sono, o médico destaca que é importante identificar se o distúrbio tem origem física ou emocional. "Hipertireoidismo, deficit de vitamina B12, deficit de ácido fólico, anemia, insuficiência renal, síndrome das pernas inquietas e transtornos neuropsicofisiológicos como ansiedade e depressão são alguns dos fatores que interferem na qualidade do sono", elenca Melluso Filho. Ele acrescenta que algumas pessoas andam, rangem dentes e gritam durante o sono. Nestes casos é importante uma avaliação para descartar o diagnóstico de uma doença chamada epilepsia do sono.
Sonambulismo
Distúrbio cercado de mitos, o sonambulismo é mais comum na infância e está associado a fatores hereditários. O neurologista Paulo Rogério de Bittencourt explica que o sonâmbulo levanta dormindo, caminha e fala, porém, seu estado de consciência, memória e capacidade de julgamento ficam alterados. "O paciente realiza atividades, porém sem objetivo, sem memória, e é muito difícil acordá-lo. E na maioria das vezes, não se lembra do que fez", afirma. Ele informa que cerca de 30% das crianças apresentam episódios de sonambulismo durante a infância e na fase adulta há 4% de prevalência.


