Doenças do coração lideram mortes no País
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domingo, 27 de maio de 2012
Michelle Aligleri <br> Reportagem Local 
Engana-se quem pensa que o câncer é o maior responsável pelas mortes no Brasil. O grande vilão encontra-se ao lado esquerdo do peito: o coração. Mais de 30% das mortes dos brasileiros estão relacionadas a doenças a este órgão.
Este número é preocupante para a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Apesar dos avanços evidentes da ciência médica, os problemas cardíacos continuam sendo o fator de maior impacto de morte no país.
Conforme o presidente da SBC, Jadelson Pinheiro Andrade, se esta situação não for revertida, daqui 20 anos o Brasil será campeão mundial de mortes por doenças no coração. ''É um perfil epidemiológico perverso, que precisa ser mudado'', disse. Ele explicou que os fatores de risco para aparecimento de uma doença no coração são: obesidade, sedentarismo, pressão arterial alta e não tratada, diabetes, tabagismo e colesterol elevado. ''A presença de dois destes fatores de risco aumenta em 30% a possibilidade da pessoa desenvolver problemas do coração'', alertou.
A principal causa de óbitos no país é o Acidente Vascular Cerebral (AVC),
que por ano registra 340 mil casos. De acordo com a SBC, este número tende a dobrar até 2050. O AVC está diretamente ligado à fibrilação atrial, um tipo de arritmia em que o coração não bombeia adequadamente o sangue, possibilitando a formação de coágulos que podem provocar a doença.
Um em cada cinco AVCs tem como fundo a fibrilação atrial. De acordo com Andrade, os derrames decorrentes deste tipo de problema provocam mais lesão cerebral e sequelas do que aqueles causados por outros motivos. ''Quando o coração bombeia os coágulos, eles seguem como uma 'chuva', atingindo o cérebro em várias partes, provocando lesões em diversas áreas'', explicou.
O diagnóstico da fibrilação atrial é fácil de fazer. Para identificar os pacientes que apresentam o problema, a Sociedade Brasileira de Cardiologia recomenda que as pessoas sintam o próprio pulso. ''O autoexame do pulso pode ser feito pelo paciente e permite que ele identifique uma irregularidade no ritmo cardíaco, por exemplo''.
Segundo ele, as anormalidades podem estar relacionadas à fibrilação atrial, sobretudo nos indivíduos com mais de 70 anos. ''Diante de qualquer dúvida deve-se procurar o cardiologista'', destacou. O médico consegue fazer o diagnóstico com exames simples como a checagem do pulso e a auscutação cardíaca. Um eletrocardiograma pode ser feito para confirmar o problema.
De acordo com Andrade, a fibrilação atrial causa mudanças irreversíveis no coração, chegando a alterar o tecido cardíaco. ''A proporção de AVC atribuído a fibrilação atrial aumenta com a idade e precisamos destacar que a população mundial está envelhecendo'', lembrou. Pesquisas da SBC apontam que vivem no Brasil mais de 1 milhão e 800 mil vítimas de derrame, sendo que um terço destas pessoas precisa de cuidados diferenciados.
Tromboembolia venosa
A movimentação do coágulo pelas veias e artérias pode obstruir algum vaso e causar danos a órgãos vitais. Esta situação é chamada de trombose venosa (quando ocorre nas veias) ou trombose arterial (no caso das artérias). O coágulo no sangue nem sempre é formado no coração, em alguns casos ele pode ser formado nas veias, principalmente das pernas. De acordo com o cardiologista Evander Botura, esta situação ocorre geralmente em pacientes que passaram por cirurgias ortopédicas importantes e por aqueles que possuem varizes de grosso calibre.
O cardiologista explicou que normalmente a tromboembolia venosa ocorre em uma veia da perna e que em alguns casos o coágulo pode migrar para os pulmões, causando uma embolia pulmonar. ''Este quadro pode levar à morte súbita ou provocar danos nos pulmões e outros órgãos vitais''.

