Doenças cardiovasculares causam 31% das mortes no mundo
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domingo, 14 de abril de 2013
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
As doenças cardiovasculares (DCV), como insuficiência cardíaca e acidente vascular cerebral, são as maiores causadoras de mortes prematuras em todo o mundo. A cada ano, aproximadamente 17,3 milhões de pessoas morrem em função destas patologias, o que corresponde a 31,3% de todos os óbitos. Em estado de alerta com o aumento de pelo menos 20% na incidência de doenças cardiovasculares entre 1990 e 2010, a Organização Mundial de Saúde (OMS) lançou a campanha ''25 by 25'', que pretende reduzir em 25%, até 2025, a mortalidade prematura causada por doenças cardiovasculares e outras não transmissíveis.
Como parte da campanha, a World Heart Federation (WHF), maior organização voluntária de cardiologia do mundo, lançou no Brasil, no início do mês, a primeira edição do simpósio ''Reduzindo a Mortalidade Global em 25% até 2025''. O encontro deverá percorrer diversos países, sempre com o objetivo de discutir com jornalistas locais temas ligados a doenças do coração.
As informações são de Johanna Ralston, CEO da WHF, que participou do simpósio realizado no Rio de Janeiro. Ela acrescentou que, de acordo com os resultados do Global Burden of Disease Study 2010 (GBD 2010), o Estudo sobre a Incidência Mundial de Doenças (CMD) de 2010, os distúrbios cardiovasculares estão entre as principais causas de morte, morte prematura e invalidez no mundo. Ainda segundo o estudo da CMD, a doença isquêmica do coração e o derrame foram as duas principais causas da mortalidade mundial em 2010.
''O aumento na incidência das doenças é atribuído sobretudo ao crescimento de fatores de risco como pressão alta e tabagismo. Os outros principais fatores de risco para essas doenças são dieta pobre em frutas e verduras, álcool, índice de massa corporal (IMC) elevado e inatividade física'', afirmou a CEO.
No Brasil
De acordo com o Plano de Ações Estratégicas Para o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) do Ministério da Saúde, no Brasil, de 2011 a 2022, as doenças não transmissíveis terão sido responsáveis por 72% da mortalidade, com 31,3% do todas as mortes sendo atribuídas a doenças cardiovasculares. Estima-se que 300 mil brasileiros morram anualmente devido a doenças cardiovasculares como infarto, derrame, insuficiência cardíaca e renal e morte súbita, o que significa 820 mortes por dia, 30 mortes por hora, ou uma morte a cada dois minutos. Johanna acrescentou que 40% das mortes relacionadas a doenças cardiovasculares na América Latina ocorrem durante os anos mais produtivos de uma pessoa.
Segundo o estudo da CMD, a doença isquêmica do coração e o derrame foram a segunda e a terceira causas mais comuns de mortes prematuras no Brasil em 2010. A doença isquêmica do coração representou 9,9% da mortalidade prematura no Brasil, enquanto o derrame representou 7,3% da mortalidade prematura. A violência foi responsável por 9,9% das mortes prematuras.
Dois dos principais fatores de risco para o coração, a hipertensão e o diabetes são as principais causas de internação no sistema público de saúde brasileiro. A pesquisa nacional por telefone (pesquisa VIGITEL) de 2011 mostrou que 23,3% da população adulta já recebeu um diagnóstico clínico prévio de hipertensão.
O estudo da CMD de 2010 apontou que, no Brasil, os principais fatores de risco que pesam sobre o aumento da incidência de doenças são pressão alta, má alimentação, uso nocivo de álcool, índice de massa corporal elevado e tabagismo, os quais estão associados a doenças cardiovasculares. O colesterol alto é também um importante fator de risco para morte e invalidez no Brasil - está em nono lugar entre os principais fatores de risco - e também está fortemente ligado a doenças cardiovasculares.
A pesquisa Vigitel de 2011 também identificou que apenas 15% dos brasileiros fazem atividade física de lazer, apenas 18,2% comem frutas e verduras cinco ou mais dias por semana, 34% comem alimentos ricos em gordura e 28% tomam refrigerantes em cinco ou mais dias por semana.
- A repórter viajou a convite da World Heart Federation (WHF)



