Doença vem crescendo em crianças de 1 a 2 anos
Com mais de 28 anos de profissão, o endocrinologista pediátrico Luiz Eduardo Calliari afirma que anos atrás era muito raro crianças abaixo de 5 anos terem diabetes tipo 1. Hoje, esse cenário vem mudando gradativamente. De acordo com ele, ainda não se sabe o motivo, mas o diabetes vem aparecendo com maior frequência em crianças a partir do 1 ou 2 anos de idade.
"A previsão é que daqui a 10, 15 anos a doença seja mais prevalente nesta faixa etária do que em adolescentes", afirma. Diante desta realidade, uma maior atenção vem sendo cobrada de pais, educadores e cuidadores, que devem estar atentos aos possíveis sinais do diabetes.
"Basicamente, acontecem duas coisas: a glicemia começa a aumentar e isso é assintomático. Em um segundo momento, a criança começa a urinar muito, porque o açúcar vai para o rim, sai pela urina e leva a água junto. Então, a criança passa a urinar muito e com isso desidrata e bebe bastante água", explica.
Em relação à alimentação, há um aumento no apetite, porém, perda de peso. "Elas comem mais, mas perdem peso porque aquilo que ingerem, o organismo não aproveita. Toda energia que viria da comida está sendo eliminada pela urina", cita, acrescentando que há também algumas situações anedóticas, que podem gerar suspeita, como por exemplo, o aparecimento de formigas próximo ao vaso sanitário.
Além dos sinais, é fundamental reforçar que o diagnóstico laboratorial é simples e fácil. Segundo o especialista, "uma gotinha de sangue já é o suficiente". Em jejum, os valores de glicemia para qualquer faixa etária são considerados normais até 100 mg/dl. Acima de 125 mg/dl é diabetes.
"Durante o dia, independentemente se a pessoa está ou não em jejum, o valor de glicemia acima de 200 mg/dl é diagnóstico de diabetes. É muito importante fazer os exames com uma certa frequência, pois um diagnóstico tardio pode trazer complicações que vão desde um quadro de desidratação grave até o coma diabético", conclui Calliari. (M.O.)




