Doença renal crônica cresce com muita rapidez no Brasil
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domingo, 15 de julho de 2012
<br> Reportagem Local <br> 
Com o envelhecimento da população e o aumento progressivo da prevalência do diabetes e da hipertensão, a doença renal crônica também atingirá mais pessoas nos próximos anos. A doença, que acarreta a perda progressiva e irreversível das funções renais, leva os pacientes à dependência de terapias de substituição, com diálise ou transplante de rim. De acordo com a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), existem hoje cerca de 92 mil pacientes em diálise no Brasil. Nos últimos 10 anos, esse número cresceu 115% e deve aumentar em uma proporção de 500 casos por milhão de habitantes a cada ano.
Um panorama da incidência e tratamento da doença renal crônica no Brasil e no mundo foi apresentado em evento que reuniu nefrologistas de todo o País em São Paulo recentemente. Realizado com o apoio da Baxter, empresa da área de saúde, o encontro promoveu um painel de discussão sobre o acesso ao tratamento, em que foram apontadas as principais dificuldades de pacientes e profissionais de saúde.
Atualmente, 90% dos pacientes são tratados com hemodiálise em clínicas especializadas, com a filtragem do sangue por uma máquina, em sessões de três a quatro horas, três vezes por semana. O tratamento é custeado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas em 90% dos casos, acontece em clínicas privadas. Uma alternativa à hemodiálise é a diálise peritoneal, que é realizada em casa, pelo próprio paciente, com a infusão de uma solução de diálise na cavidade abdominal.
Em sua apresentação, o médico Daniel Rinaldi, presidente da SBN, destacou que a doença renal crônica deve ser vista como um problema de saúde pública. Estima-se que 10 milhões de brasileiros tenham algum grau de deficiência na função renal. ''O diagnóstico da doença é fácil, mas é preciso ter acesso a atendimento especializado para retardar a progressão da doença e preparar o paciente para a terapia de substituição mais adequada. A porta de entrada deveria ser a atenção básica à saúde, mas a maioria dos pacientes chega ao sistema pelo atendimento a emergências'', ressaltou.
Para o médico Elias David Neto, nefrologista responsável pelo Serviço de Transplante de Rim do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP) e Coordenador do Centro de Nefrologia do Hospital Sírio-Libanês, o crescimento da demanda por terapia merece atenção. ''A maior parte do atendimento é feito em clínicas privadas. O custo para a criação dessas clínicas é muito alto e o retorno é lento. Além disso, elas não podem expandir o atendimento, pois há um limite de 200 pacientes por unidade'', disse.
Para o presidente da Associação Brasileira de Clínicas de Diálise e Transplante (ABCDT), o nefrologista Paulo Sérgio Luconi, o financiamento do tratamento é inadequado. ''O paciente chega para ser tratado em uma condição muito ruim, quando já passou a fase de conservação da função renal em urgência dialítica, impossibilitando, na maioria das vezes, a diálise peritoneal, que sem dúvida, permite que ele tenha mais qualidade de vida sem ter que se deslocar três vezes por semana, viajar e ficar fora de casa. O método é muito bom, mas não existe incentivo pra que se pratique em maior escala devido à inadequação dos valores de honorários profissionais praticados para este tipo de atendimento'', explica.

