Doença mata 40 mil por ano
Pesquisas apontam que 40 mil brasileiros morrem ao ano em decorrência da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) e que atualmente existem mais de 7,5 milhões de portadores no país. Apesar dos números alarmantes, apenas 350 mil pessoas receberam o diagnóstico.
Em Londrina, existem dois centros para tratamento de pacientes com DPOC. Entre 400 e 500 pacientes com a forma grave e muito grave da doença são atendidos na Policlínica Municipal e no Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Para o médico pneumologista da Secretaria Municipal de Saúde de Londrina, Alcindo Cerci Neto, que é também coordenador do Departamento de Ações Programáticas de Dados da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), é fundamental que o paciente seja diagnosticado precocemente, isso permite que o tratamento seja iniciado antes que a doença provoque lesões graves no organismo.
Alcindo Cerci Neto explica que o paciente que chega aos hospitais já deveria saber o diagnóstico da doença, mas geralmente isso não acontece. ''Percebemos que a maioria dos pacientes descobrem que tem DPOC da pior maneira, quando estão em uma crise e tem risco de morte associado'', disse.
O médico explicou que o primeiro desafio da doença é chegar até os profissionais da área da saúde. ''Hoje não existe um sistema bem definido de diagnóstico de DPOC na atenção primária à saúde. Os médicos que atendem os pacientes acabam tendo dificuldade de diagnosticar esta doença''.
Conforme ele, há estudos que mostram a existência deste problema. ''Não se faz o diagnóstico e o paciente às vezes é tratado para uma doença diferente da que ele tem'', lamentou. Cerci Neto disse que além da falta de preparo dos profissionais, o pouco acesso à espirometria e a falta de medicamentos no Sistema Único de Saúde (SUS) também fazem parte do conjunto de fatores que precisa ser superado. ''Hoje apenas o paciente que tem DPOC grave é atendido pelo SUS'', disse.
Diante desta importância, um grupo de pesquisadores se reuniu para criar um documento com diretrizes para diagnóstico, tratamento e prevenção da DPOC. O material, chamado de ''Gold'' (Global Initiative for Chronic Obstrutive Lung Disease - Iniciativa Global para a DPOC) tem como principal objetivo a orientação dos médicos - pneumologistas ou não - para que eles desconfiem da doença.
Para Cersi Neto, o Gold é fundamental. ''A capacitação dos médicos da atenção básica e a organização da atenção secundária e terciária são muito importantes. Isso deve ser aliado à campanha de esclarecimento e redução do tabagismo, que e a principal causa da doença''. (M.A.)




