Doença compromete qualidade de vida
Os Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs) comprometem de forma significativa a a qualidade de vida das pessoas e das famílias. Quem sabe bem como o problema pode interferir na rotina da família é Maria Inês Costa Zandonar. Há cinco anos e meio ela se tornou cuidadora do esposo Luiz Carlos Zandonar, vítima de um AVC hemorrágico. Maria Inês conta que depois de um dia tranquilo acordou de madrugada com barulho diferente dentro de casa. ''Parecia que tinha uma pessoa muito idosa tentando falar, era meu marido e ele falava tudo enrolado'', conta. Ela lembra que Luiz mostrava o braço e a perna direitos imobilizados, mas não conseguia explicar o que estava acontecendo.
Depois de três dias em coma, o empresário que, na época tinha 56 anos, passou seis meses fazendo tratamento com fonoaudióloga e fisioterapeuta para recuperar a fala e a voz. Hoje as sequelas ainda persistem. Ele tem dificuldade para andar, falar, não tem movimentos do braço e na mão direita apenas o dedo mínimo se movimenta. Ele precisou aprender a escrever com a mão esquerda e necessita de ajuda para andar, se vestir, ir ao médico, tomar os remédios e fazer outras atividades cotidianas.
Após o AVC, Zandonar passou a ver a vida de maneira diferente. ''A gente colocava o trabalho em primeiro lugar. Era uma pessoa sem paciência e tive que aprender a ser mais maleável, a não me preocupar tanto com coisas pequenas e a me cuidar mais'', afirma.
O empresário José Emmanuel de Barros Cotta Filho, de 49 anos, teve um AVC isquêmico há cerca de um mês e ainda hoje sente constantes formigamentos na mão, pé e lado direito da boca, além da falta de sensibilidade no polegar e indicador da mão direita e ainda vertigem ao levantar. De acordo com os médicos, as sequelas são pequenas se imaginar que ele poderia ter ficado com todo o lado direito do corpo paralisado. Isto porque o derrame podia ter acontecido a um centímetro de distância de onde realmente ocorreu.
Desde os 15 anos de idade Cotta sofre de hipertensão arterial e há dez anos descobriu que tem diabetes tipo 2. Há cerca de um ano, ele decidiu suspender todos os medicamentos que tomava. Em 11 meses, o empresário emagreceu cerca de 30 quilos, mas a glicemia e a pressão arterial ficaram alteradas durante todo este tempo. ''Um dia, senti a boca adormecida, aferimos a pressão e constatamos que estava muito alta'', conta. No dia seguinte ao episódio, ele foi ao neurologista e uma ressonância magnética indicou a isquemia.
De volta a sua vida normal, o empresário precisou incluir novamente em sua rotina os remédios para hipertensão arterial e diabetes, mas agora além destes, ele também está tomando medicação para proteger o coração e prevenir novas isquemias. Cotta garante que a sua vida de sedentário está prestes a acabar e mudanças devem ser implantadas na alimentação. ''Estou fazendo alguns exames cardíacos para começar a praticar algum exercício, além disso estou comendo alimentos saudáveis de três em três horas'' afirma. (M.A.)




