Doença acarreta outros problemas de saúde
A forma inicial da hemocromatose não é considerada grave e o paciente leva uma vida normal e assintomática até um determinado ponto. "Cada pessoa apresenta uma manifestação diferente. Se o ferro se depositar no fígado, o paciente pode apresentar uma cirrose; no coração, corre o risco de desencadear miocardiopatias graves; no pâncreas, pode deixar o indivíduo diabético e nas gônadas (ovários e testículos), pode provocar alterações hormonais", explica o médico hematologista Luis Gabriel Fernandez Turkowski.
Ele acrescenta que o que compromete a saúde do paciente é o grau de acúmulo e o tempo de exposição ao ferro nos tecidos.
A descoberta da hemocromatose é geralmente feita por exames de sangue específicos. "Para diagnosticar esta doença o primeiro passo é analisar a dose de ferritina, que é uma proteína circulante considerada um marcador da doença. A partir do resultado deste exame, o paciente é encaminhado para outros testes", explica. Quando os índices de ferritina identificados no exame de sangue estão muito acima do normal é preciso iniciar o tratamento que é feito basicamente com uma sangria terapêutica (modalidade de tratamento médico que estabelece a retirada de sangue do paciente como tratamento de doença). "As medicações disponíveis apresentam muitos efeitos colaterais e só são recomendadas para alguns tipos específicos de pacientes", comenta o médico.
Turkowski explica que após o paciente se submeter a sangria, o organismo é obrigado a produzir novas moléculas de hemoglobina e para isso utiliza o ferro que está acumulado nos órgãos e tecidos. "Uma sangria de 400 ml representa uma perda importante de ferro para o organismo", esclarece. Para manter a hemocromatose sob controle, o indivíduo pode ser submetido a este procedimento periodicamente. (M.A.)




