Doações de sangue precisam mais que triplicar para abastecer hospitais da região
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quarta-feira, 08 de outubro de 2014
Redação Bonde com HU 
O Hemocentro Regional de Londrina do HU quer aumentar a coleta de sangue de cerca de 1.200 bolsas para 4 mil bolsas por mês. O objetivo é abastecer 100% dos leitos públicos e filantrópicos do Sistema Único de Saúde (SUS), na área de abrangência da 17ª Regional de Saúde.
Essa meta foi estabelecida em uma reunião, em julho, entre a direção do Hemocentro com a Hemepar, 17ª Regional de Saúde, Reitoria da UEL e a direção do Hospital Universitário. Nessa reunião, foram levantadas as necessidades para suprir 100% dos leitos do SUS da região.
Segundo o hematologista Fausto Celso Trigo, diretor do Hemocentro, o Estado já foi comunicado dessa necessidade e, junto à sociedade, foi iniciado um amplo trabalho de congregar vários setores progressistas para atingir essa meta.
O primeiro dos contatos foi feito com a direção da Universidade, com proposta de implantação de um curso de formação complementar universitária, envolvendo, a princípio, estudantes da área da saúde, "proposta já oficializada à UEL para institucionalizar a atividade voltada ao processo de formação de multiplicadores na captação de doadores", informa Trigo.
A Câmara de Vereadores de Londrina aderiu à causa, cedeu a Casa e convidou diversas instituições de Londrina e região para uma reunião pública, que debateu, no dia 1º de setembro, estratégias e ações de apoio ao Hemocentro.
Além da Secretaria Municipal de Saúde e a 17ª Regional de Saúde, participaram representantes da Secretaria Municipal de Assistência Social, Conselho Municipal de Saúde, Gerência Regional do Ministério do Trabalho e Emprego e instituições integrantes do Sistema S (Sesc, Sest/Senat, Senai, Senac e Sesi), entre outros.
A partir dessa reunião, várias estratégias estão sendo delineadas, entre elas a de formatação de campanha de ação continuada, com envolvimento de instituições do Sistema S, de capacitação de multiplicadores entre os trabalhadores da indústria e do comércio. "O RH do Hemocentro é muito pequeno, se não tivermos esses multiplicadores não vamos conseguir atingir a meta", ressalta Trigo.
Outro fator pesa nessa tentativa de aumentar significativamente o número de coletas: a infraestrutura. O Hemocentro busca um espaço na área central de Londrina, seja do Estado ou do município, para facilitar o acesso dos doadores.
A estrutura atual permite coleta em torno de 1.200 bolsas ao mês, mas poderia atingir até 2 mil bolsas. De imediato, as ações de educação continuada e formação de multiplicadores poderia prover parte das necessidades, mas a médio e longo prazos haveria a necessidade de negociar com o Estado a contratação de mais recursos humanos, materiais e equipamentos", ressalta.
Único Hemocentro da região
O Hemocentro do HU é o único no âmbito da 17ª Regional de Saúde, é referência no Paraná para atividades hemoterápicas e não se restringe à coleta de sangue. Trata-se de instituição de muita complexidade, de excelência técnica, que um simples banco de sangue não possui. Dispõe, por exemplo, de um Laboratório de Histocompatibilidade, que dá suporte para a Unidade de Transplante de Medula Óssea, Banco de Olhos, controle de sangue para a Hemepar e Hemocentro, realização de aférese terapêutica, atendimento a hemofílicos e distúrbio de coagulação congênito, entre outros procedimentos complexos.
Horário reduzido não afeta número de coletas
Segundo o diretor do Hemocentro, embora a campanha esteja no início, já se observa um discreto incremento, mesmo com a redução do expediente na coleta interna de sangue para apenas no período vespertino (das 13h às 18h30) durante a semana, desde abril deste ano. Aos sábados o horário é mantido para das 8h às 17h30. "Esperamos em um ano chegar a duas mil bolsas/mês", prevê Trigo. "O sangue tem prazo de validade, coletar grande quantidade de uma só vez não é o mais eficiente. O ideal é de forma contínua e fragmentada".

