Dividir tarefas é desafio para as famílias
A enfermeira e coordenadora do Grupo de Estudos sobre o Envelhecimento (Gesen) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Mara Solange Gomes Dellaroza, também encabeça um trabalho relevante na sociedade, especialmente para quem tem um familiar em processo de demência ou diagnóstico da doença. O grupo formado há 15 anos, atua com diversos projetos de extensão, pesquisa e ensino na área do envelhecimento. Para o Alzheimer, são feitas reuniões mensais com orientações técnicas aos cuidados e troca de experiências. A frequência gira em torno de 40 pessoas e não há custo.
De acordo com Mara, a maior dificuldade do cuidador é porque o Alzheimer é uma doença irreversível, que leva cada vez mais a uma dependência e isso exige uma resistência física e psicológica do cuidador, por muitos anos.
"Um paciente, por exemplo, que começa com um quadro de demência aos 70 anos, tem muitas chances de viver por mais 20 anos, e de qualquer forma é um longo tempo que ele vai precisar de uma assistência familiar", comenta.
Sendo assim, o maior desafio relatado pelos participantes é a divisão das tarefas. Mara diz que muitas vezes as famílias atribuem isso a uma única pessoa, e é cansativo. Por isso, reforça que uma boa solução está em encontrar meios e estratégias para dividir as responsabilidades.
Mara afirma ainda que, nas fases iniciais da doença, às vezes um acompanhante é o suficiente. "Pois o objetivo é ter uma pessoa por perto, que vai evitar um comportamento de risco e, financeiramente, é menos oneroso para a família.
Com a divisão das tarefas, a enfermeira lembra que o cuidador poderá preservar alguns aspectos essenciais da sua qualidade de vida, como horários de lazer e estratégias de descanso com uma noite tranquila.
"A situação do cuidador é muito grave. Já existem estudos provando que muitas vezes, o cuidador de um idoso demente falece antes por desenvolver algumas doenças, como câncer e doenças autoimunes, que são provenientes do estresse. Como todos nós, o cuidador precisa caminhar de vez em quando, precisa ter alguém com quem possa chorar e desabafar", diz. (M.O.)
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