Dieta que pode matar
PUBLICAÇÃO
domingo, 10 de abril de 2011
Fernanda Borges <br> Reportagem Local 
A busca pela perda de peso num dos países que concentra um dos maiores índices de obesidade no mundo tem feito os norte-americanos exagerarem nas dietas. Mais de 50 anos depois de um médico começar a promover o HCG - conhecido como ''hormônio da gravidez'' - como auxiliar na perda de peso, ele está mais popular do que nunca e começa a despertar interesse entre os brasileiros. Especialistas afirmam que não há evidências que comprovem a eficácia do procedimento e garantem que pode inclusive matar.
A presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), Rosana Bento Radominski, explica que o procedimento utiliza injeções de gonadotrofina coriônica (HCG) com dieta de baixíssimas calorias (cerca de 500 calorias por dia). Porém, segundo ela, não garante perda de peso e ainda pode colocar em risco a vida das pessoas.
''Os norte-americanos começaram a usar essa dieta na década de 1940 e aos poucos vários estudos publicados mostraram que o HCG não tem a menor eficácia para perda de peso. O que faz perder peso é a redução calórica. Durante vários anos essa dieta foi deixada de lado e agora voltou a ser utilizada por alguns médicos dos Estados Unidos. O procedimento realmente não é indicado para ninguém'', alerta.
Segundo a doutora em endocrinologia, o HCG é um hormônio secretado principalmente no primeiro trimestre da gestação e serve como diagnóstico de gravidez. ''Esse hormônio garante a manutenção da gestação inibindo a menstruação e a ausência de uma nova ovulação. Ele também desempenha um papel no desenvolvimento dos testículos no feto masculino'', explica.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, a forma injetável de HCG, vendida com receita médica, é aprovada como tratamento da infertilidade. Nos Estados Unidos, médicos são autorizados a prescrevê-la de forma ''não indicada na bula'' para perda de peso. Já houve relatos à FDA sobre paciente que seguiu a dieta do HCG e teve embolia pulmonar. O hormônio causa risco de coágulos, depressão, dor de cabeça e aumento da sensibilidade ou do volume das mamas.
''Não sabemos porque essa dieta voltou a ser propagada, provavelmente porque as opções terapêuticas realmente eficazes são poucas e então os tratamentos 'milagrosos' reaparecem. A toda hora surgem tratamentos com chás, faseolamina, caralluma etc., e que não têm o menor respaldo científico'', finaliza.

