Dieta pode ajudar no tratamento de autismo
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segunda-feira, 02 de fevereiro de 2015
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Mesmo tendo muito o que avançar ainda, pode-se dizer que nos últimos anos o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) vem "conquistando" um pouco mais de visibilidade. Seja através da divulgação de informações pertinentes ao diagnóstico precoce ou, então, por meio de estudos e pesquisas em diferentes aspectos.
Dentro desses pilares, a alimentação é um tema bastante valorizado por pais que a encaram como uma intervenção coadjuvante, complementar. É comum encontrar na internet, por exemplo, publicações citando uma correlação entre a patologia e dietas restritivas de proteínas, como o glúten e a caseína. Porém, é importante esclarecer e filtrar algumas informações como observa Guilherme Vanoni Polanczyk, professor de Psiquiatria da Infância e Adolescência, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). "A gente vê muitos pais altamente motivados a encontrar alguma intervenção que provoque uma cura ou uma melhora substancial dos sintomas, mas infelizmente, hoje, ainda não há um tratamento curativo", ressalta.
Em relação à alimentação, Polanczyk reconhece uma frequência aumentada em crianças com TEA, de alergias alimentares, alterações de sono e gastrointestinais que não fazem parte do diagnóstico, mas que podem estar associadas.
"A gente imagina que é possível ter alguma relação de determinados nutrientes com o comportamento dessas crianças, mas ainda não sabemos qual. Os nutrientes têm resultados no desenvolvimento cerebral e consequentemente no comportamento, mas não sabemos quais são e que efeitos teriam", aponta.
Diante disso, Polanczyk cita que é preciso ter estudos controlados e afirma que hoje se tem grandes investimentos em pesquisas sobre as alterações genéticas do TEA. "A gente acredita em resultados importantes, em especial no que envolve compostos específicos", diz.
A nutricionista Mariana Buriolla trabalha há dois anos com crianças autistas em Londrina e lembra que os trabalhos relativos à alimentação surgiu de uma busca das próprias mães de crianças com TEA. "Muitas delas procuraram, inclusive fora do Brasil, alternativas complementares ao tratamento que não fossem medicamentosas", completa.
Ela explica que pela questão genética, as crianças autistas costumam apresentar problemas gastrointestinais. Muitas têm um intestino mais permeável, ou seja, o órgão pode se irritar mais facilmente se comparado a uma criança normal. Além disso, elas têm um probabilidade maior de desenvolverem alergia a algum produto.
"Isso ocorre porque muitas têm dificuldade de digerir alguns tipos de proteína, como a caseína e o glúten, que surgem em maiores proporções. Essas crianças têm dificuldade em quebrá-las em peptídios", afirma. A caseína é a proteína do leite e está presente em todos os seus derivados como o queijo, requeijão, iogurte, entre outros. O glúten também é uma proteína presente, principalmente, no trigo, na cevada e aveia.
De acordo com a nutricionista, algumas mães começaram a retirar esses produtos da dieta dos filhos e relataram melhoras na questão comportamental. A partir daí, ela acredita que passou a se falar muito sobre o Protocolo DAN, que tem entre as principais ações, a dieta isenta de caseína e glúten.
Porém, Mariana enfatiza que uma dieta depende de cada caso. "Quando se trata de autismo, a criança não tem um único profissional cuidando dela e sim, uma equipe e tudo deve ser acompanhado para verificar resultados. O autista não foge à regra. Já se sabe, por exemplo, que o corante é alergênico e que o açúcar para uma criança normal já é estimulante. Então, vale para todos a busca por uma alimentação mais natural, orgânica", acrescenta.
Mariana ressalta ainda que as crianças com TEA têm a tendência a ter uma alimentação muito restrita, já que são seletivas em relação aos alimentos. "Estudos concretos realmente não têm, mas a gente vê junto à algumas mães, que a alimentação em conjunto com a terapia, o trabalho da fonoaudiologia e demais áreas têm um papel importante na questão cognitiva, atenção e irritabilidade nas crianças", declara.

