Dieta da fertilidade equilibra o organismo
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segunda-feira, 01 de dezembro de 2014
Micaela Orikasa<br> Reportagem Local 
Se a boa alimentação é importante para todo o organismo, quando se trata de fertilização não deve haver exceção. Essa é a afirmação que especialistas em reprodução humana vêm defendendo nos últimos tempos.
Chamada de "dieta da fertilidade", a mudança nos hábitos alimentares do dia a dia é tida como terapia coadjuvante para casais que buscam sucesso na fertilização por meio do bom funcionamento de todo o corpo, em especial dos aparelhos reprodutores.
A ideia é simples e indicada para todo mundo, já que a proposta está em incluir no cardápio alimentos fontes de vitaminas, minerais e antioxidantes, além é claro de reduzir os produtos industrializados porque contêm altas concentrações de hormônios e sal.
Segundo Arnaldo Cambiaghi, médico especialista em Medicina Reprodutiva, Ginecologia e Obstetrícia, "a alimentação por si só não resolve os problemas mais complicados da saúde reprodutiva como, por exemplo, a obstrução tubária ou a falta de espermatozoides, mas quando uma dieta saudável estiver associada a tratamentos avançados, não há dúvida de que os resultados poderão ser melhores".
Ele diz que para este fim, a dieta "mediterrânea" é a mais recomendada por associar nutrientes ricos em antioxidantes, fibras e gorduras de boa qualidade. Os alimentos frescos, como peixes e crustáceos, fibras e óleo de oliva são seu ponto forte.
"É uma alimentação leve. Sabemos que o fast food piora a qualidade da saúde como um todo e que a carne que consumimos hoje, possui muito hormônio, o que pode prejudicar a fertilidade. Então, se a pessoa puder escolher alimentos orgânicos, melhor", acrescenta Cambiaghi, diretor do Centro de Reprodução Humana do Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia (IPGO).
Em seu livro "Fertilidade e Alimentação", escrito em parceira com a nutricionista Débora de Sousa Rosa, o especialista reúne algumas pesquisas que apontam "o baixo peso e a obesidade como os problemas nutricionais que mais parecem interferir na saúde do sistema reprodutor em países desenvolvidos".
E os efeitos negativos vão desde distúrbios hormonais, desequilíbrios entre nutrientes, resistência à insulina, dificuldade ou ausência de ovulação e alteração da quantidade e qualidade dos espermatozoides. Esse estado nutricional inadequado pode, segundo os autores, aumentar o tempo ou impedir que uma gestação ocorra de forma natural.
"Hoje em dia, temos muito claro que os casais que estão bem alimentados e no peso ideal têm uma chance maior de engravidar do que pessoas subnutridas, hipernutridas ou nutridas de uma maneira errada. Por exemplo, homens e mulheres obesos têm distúrbios hormonais. Eles ovulam menos e têm uma qualidade de ovular pior. Isso tudo dificulta a gravidez", completa.
Michele Panzan, especialista em reprodução humana da unidade Campinas do Grupo Huntington Medicina Reprodutiva, ressalta que no caso de vegetarianos é preciso rever as regras alimentares quando decidem engravidar.
"Pode haver a necessidade de compensar a carência de alguns nutrientes. Mulheres vegetarianas, por exemplo, costumam apresentar deficiência de zinco, importante mineral para a função reprodutiva que pode ser encontrado em ostras, carne vermelha, fígado de galinha e feijão", afirma. Nesses casos, é importante procurar um médico ou nutricionista para avaliar bem a situação.
Uma estimativa da Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que no Brasil, cerca de 280 mil casais convivem com problemas de infertilidade. Vale lembrar que outros fatores como o álcool, o tabagismo e o sedentarismo também podem afetar a saúde reprodutiva.

