Diagnóstico precoce é difícil
Ao defender uma sensibilização à saúde masculina, José Carlos de Almeida, coordenador geral do Departamento de Uro-oncologia da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), cita que não há, por exemplo, as mesmas facilidades para detecção de câncer de próstata como ocorre no câncer de mama e de colo de útero nas mulheres.
"É muito fácil dizer que o homem não procura o médico. É claro que há uma resistência maior do homem em relação às mulheres. Culturalmente, o homem se sente mais forte, menos vulnerável. Mas isso tem mudado com o tempo. Quando o indivíduo é informado, orientado e tem acesso e confiança ao serviço de saúde, além disso, tem seu médico de referência, ele não deixa de ir. Quem é que quer viver sem respostas para sua própria saúde?", indaga.
A questão da consciência também é reforçada por Cid Janene El Kadre. O urologista diz que há 20 anos, quando iniciou a atuação profissional, "pegava o paciente para morrer e hoje atendo para curar". Apesar dessa condição, a falta do diagnóstico precoce ainda é condenada pelos médicos, pois mais de 60% dos pacientes que chegam aos hospitais públicos têm o diagnóstico de câncer de próstata tardio.
E um dos motivos é que o câncer não apresenta nenhum sintoma até que extrapole, ou seja, cresça bastante para começar um sangramento ou para ter uma alteração maior de dor. Essa é uma boa justificativa sobre a importância da medicina preventiva.
Em relação às causas, pode-se considerar genética e alguns fatores ambientais, como o consumo de proteína e gordura animal (carne vermelha) e até a cor da pele. Alguns artigos revelam que o câncer é mais agressivo na população negra. Porém, para os profissionais, o fator genético é muito importante e, portanto, o indivíduo que tem casos na família deve iniciar o check-up mais cedo, entre os 40 e 45 anos.
O protocolo para o diagnóstico é baseado no exame laboratorial, o PSA (Antígeno Prostático Específico) e o toque retal, onde se avalia a consistência da próstata. Segundo Almeida, os exames realizados juntos melhoram as chances de diagnosticar. "A maioria dos tumores de próstata hoje são diagnosticados porque o PSA está elevado, pois o tumor deve ter pelo menos um centímetro ou mais para que o dedo possa sentir o relevo", explica. (M.O.)




