'Diagnóstico não é uma condenação à cegueira'
A maioria dos pacientes, quando descobre que tem glaucoma procura saber o que é a doença, explica o médico oftalmologista Luiz Fernando Cavalieri, acrescentando que é importante ter consciência de que o diagnóstico não é uma condenação à cegueira. ''A pessoa precisa saber que o glaucoma é uma doença crônica da mesma forma que a hipertensão ou o diabetes. Tem tratamento, mas é necessário tomar remédio para o resto da vida'', acrescenta.
O médico afirma que o glaucoma de ângulo aberto é o mais comum, mas não apresenta sintomas. ''O mais importante é que esse tipo é hereditário. Se existem casos na família, todos precisam fazer acompanhamento periódico e não devem esperar os sintomas surgirem. A pessoa só começa a perceber que a visão não está boa quando a doença está num estágio muito avançado'', destaca.
Os danos causados pelo glaucoma são irreversíveis, mas em compensação há medicamentos que evitam a perda da visão. Conforme o oftalmologista, normalmente a doença começa primeiro em um dos olhos e depois passa a se desenvolver no outro.
A presença da hipertensão ocular não diagnostica imediatamente o glaucoma, mas é um sinal de alerta. Cavalieri explica que algumas pessoas mesmo com a pressão ocular normal, apresentam a doença. ''Neste caso diagnosticamos por meio de exames do nervo óptico'', afirma. Ele acrescenta que há uma série de exames que fazem parte do protocolo de investigação até a confirmação do diagnóstico.
Luiz Fernando explica que a utilização do tratamento com laser só é indicado para alguns tipos de glaucoma e que a cirurgia é a última opção e só deve ser feita depois que as outras alternativas clínicas falharam. ''Na maioria das vezes dá um bom resultado e para a evolução da doença'', complementa.
O oftalmologista Francisco Eugênio Campiolo afirma que o paciente que descobre que tem glaucoma precisa entender que será preciso tomar remédio durante toda a vida. O maior desafio da doença, segundo ele, é justamente a adesão ao tratamento. ''Como é uma doença silenciosa que não dói, o paciente não acha que está doente e acaba não usando os colírios adequadamente'', explica. Ele acrescenta que a queda da acuidade visual só acontece nas fases finais da doença.
Conforme ele, um grande avanço nos últimos anos se refere ao desenvolvimento de medicamentos que podem ser aplicados uma vez ao dia, esta tecnologia facilitou a adesão ao tratamento. ''É preciso que toda a família busque informações sobre a doença após o diagnóstico''. Campiolo destaca que o apoio e o envolvimento dos familiares é fundamental para que o tratamento tenha sucesso.(M.A.)




